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porto velho, quinta-feira 22 de janeiro de 2026

PORTO VELHO-RO: Após medir o tamanho do estrago político provocado pela investigação que o afastou da Câmara Municipal em Porto Velho, o vereador Thiago Tezzari-PSDB jogou a toalha: desistiu de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Rondônia nas eleições de outubro.
Deflagrada em 10 de outubro do ano passado, a operação apura um suposto esquema de rachadinha e uso de funcionários fantasmas. O impacto foi imediato e corrosivo. A narrativa pública que sustentava o projeto eleitoral ruiu, e o cálculo político tornou-se simples: seguir adiante, buscando uma cadeira de deputado, seria transformar a campanha em um tribunal a céu aberto. Além do vereador, cinco assessores parlamentares também figuram no rol de investigados.
Apontado por aliados como “bom administrador”, Tezzari nunca conseguiu traduzir essa fama em densidade política. Seu mandato vem passando quase invisível pela tribuna — tão discreto a ponto de beirar a irrelevância. Depois da operação, o silêncio virou regra e a ausência, estratégia. Um mandato sem voz, sem agenda e agora sem futuro eleitoral.
Há, porém, um episódio que ilustra o isolamento e a coragem do vereador: durante a coletiva em que delegados detalharam a operação, Tezzari compareceu — ao contrário de outros alvos. Ao final, declarou-se inocente. Foi um gesto simbólico, mas insuficiente para conter o desgaste. Em política, presença não é defesa; e discurso, sem fatos, não repara biografias.
A investigação segue em curso e o vereador aguarda os próximos capítulos, buscando provar inocência. Enquanto isso, a Face Oculta cumpre seu efeito mais devastador: não apenas investiga crimes, mas redefine trajetórias. Em Rondônia, o recado é claro — quando a suspeita ganha corpo, a urna cobra pedágio alto.
Pelo visto, a Operação Face Oculta não apenas expôs suspeitas — ela implodiu ambições.