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porto velho, quarta-feira 11 de fevereiro de 2026

PORTO VELHO - RO - Nos corredores do poder em Rondônia, ganhou força nos últimos dias a informação de que Hildon Chaves, ex-prefeito da capital e presidente regional do PSDB, decidiu fincar os pés no chão e traçar uma linha clara entre passado e futuro: não assumirá uma dívida que não contraiu — ainda que ela hoje ameace a sobrevivência da legenda.
O passivo, estimado em R$ 340 mil, decorre da não prestação de contas eleitorais em gestões anteriores do partido. A omissão levou a Justiça Eleitoral a suspender o funcionamento do PSDB em Rondônia, bloqueando registros de candidatura e empurrando a sigla para fora do jogo enquanto o débito não for quitado.
À frente do que restou da estrutura tucana no estado, Hildon tem sido direto com aliados: não pagará a fatura herdada. Mais que isso, pretende provocar formalmente a Justiça Eleitoral para que sejam apuradas responsabilidades, dos antigos dirigentes que comandaram o partido — entre eles a família Carvalho e o ex-senador Expedito Júnior.
O episódio expõe, sem retoques, o esvaziamento político do PSDB em Rondônia. Partido que já teve protagonismo nacional e influência regional, hoje sobrevive sustentado quase exclusivamente pelo capital eleitoral de Hildon. Sem ele, a sigla se apequena ainda mais; sem regularização das contas, e quadros competitivos, corre o risco concreto de ficar fora da eleição geral, reduzida a uma sigla cartorial sem voz nem projeto.
Diante desse cenário, cresce a leitura de que Hildon avalia seriamente deixar o ninho tucano, buscando uma legenda com segurança jurídica, musculatura política e reais condições favoráveis de disputar a cada número 1 do Palácio Rio Madeira.
O recado está dado: quem fez a dívida que arque com ela. E, se Hildon sair e for mesmo filiar-se ao União Brasil como se comenta, resta apenas o aviso irônico — o último que sair que apague a luz, se não estiver cortada.