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porto velho, quarta-feira 11 de fevereiro de 2026

PORTO VELHO - RO - A política rondoniense voltou a esquentar nos bastidores, onde as decisões mais relevantes são tomadas longe dos microfones. O deputado federal Fernando Máximo articula uma mudança que pode redesenhar o cenário das eleições gerais deste ano: deixar o União Brasil e filiar-se ao Partido Liberal durante a janela partidária, que será aberta entre 7 de março e 5 de abril.
Não se trata de gesto impulsivo, mas de movimento estratégico.
Máximo nunca escondeu o desconforto dentro do União Brasil. Nos bastidores, aliados afirmam que ele se sentiu preterido em 2022, quando não conseguiu viabilizar sua candidatura à Prefeitura de Porto Velho e tampouco consolidar o espaço político que esperava dentro da legenda. Faltou protagonismo, sobrou insatisfação. Agora, o parlamentar sinaliza que não pretende repetir o papel de figurante.
A articulação ganhou corpo após reunião estratégica realizada em Ji-Paraná, sob a liderança do senador Marcos Rogério, presidente estadual do PL. O encontro definiu diretrizes claras: candidatura própria ao Governo do Estado, dois nomes ao Senado — aproveitando as duas vagas em disputa — além de chapas robustas à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa.
Um dos nomes já anunciados para o Senado é o agropecuarista Bruno Scheid, ainda pouco conhecido no cenário político estadual, mas fortemente vinculado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao núcleo ideológico do bolsonarismo em Rondônia.
Como Marcos Rogério tem reafirmado seu projeto de disputar o Governo do Estado, abriu-se a segunda vaga para a composição ao Senado — espaço que, segundo interlocutores, estaria reservado a Fernando Máximo.
A eventual filiação ao PL representa mais que uma simples troca de sigla. Significa reposicionamento político. Máximo deixaria uma legenda de perfil mais heterogêneo para se alinhar a um partido de identidade ideológica definida e eleitorado consolidado à direita.
No xadrez eleitoral, a dobradinha Máximo-Scheid combina perfis distintos: de um lado, o médico com forte recall na capital e presença ativa nas redes sociais; de outro, o representante do agronegócio no interior, identificado com o bolsonarismo raiz. A estratégia busca unir capital e interior, gestão técnica e discurso ideológico.
Nos bastidores, a avaliação é direta: Máximo não pretende mais depender de aval interno para viabilizar seus projetos. No PL, encontra estrutura, alinhamento político e um plano de poder já desenhado.
Caso a saída se confirme, o União Brasil perde um de seus quadros mais conhecidos em Rondônia. A legenda, que já enfrenta desafios internos, pode sofrer novo enfraquecimento em um ano decisivo para sua consolidação no Estado.
Há, contudo, um elemento sensível nesse movimento. Pessoas próximas relatam que Máximo tem evitado exposição excessiva na mídia como estratégia preventiva. Nos bastidores, circula a informação de que há investigação em curso na Polícia Federal relacionada à aquisição de insumos durante o período em que ele esteve à frente da Secretaria de Saúde do Estado, no auge da pandemia.
As mesmas fontes afirmam que o deputado mantém postura otimista, mas o tema do processo, quando mencionado, ainda pesa no ambiente político ao seu redor.
A janela partidária, tradicionalmente tratada como instrumento técnico da legislação eleitoral, volta a se transformar em palco de rearranjos silenciosos e redefinição de alianças.
Em Rondônia, ninguém muda de partido por acaso. Muda-se para sobreviver, para crescer — ou para disputar o jogo grande.
E tudo indica que Fernando Máximo decidiu que quer sentar-se à mesa principal, não mais assistir às decisões sendo tomadas por outros.