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porto velho, quinta-feira 19 de fevereiro de 2026

PORTO VELHO (RO) – Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quinta-feira (19) recebeu o coronel Braguin, ex-comandante da Polícia Militar, que falou sobre o início de sua trajetória e comentou as expectativas para 2026 diante do convite para disputar o Governo de Rondônia.
Policial militar da ativa, Braguin explicou que a legislação o impede de se declarar pré-candidato ou de se filiar a partido neste momento. Ainda assim, confirmou que mantém diálogo com o Partido Novo, que o convidou a avaliar a construção de um projeto para o Executivo estadual. “Não posso me manifestar como pré-candidato por vedação legal, mas estamos amadurecendo essa tratativa de forma positiva”, afirmou.
Natural do Paraná, ele chegou a Rondônia aos três anos de idade e cresceu entre Ariquemes e Ji-Paraná. Construiu toda a carreira na Polícia Militar, tornando-se o primeiro comandante-geral da corporação que ingressou como soldado e alcançou o posto máximo da hierarquia. Formado em Direito e com pós-graduações na área de segurança pública e combate ao crime organizado, afirma que sua história se confunde com a do próprio estado. Pai de três filhos nascidos em Rondônia, diz ter escolhido permanecer na região por acreditar no seu potencial de desenvolvimento.
Ao abordar a transição do ambiente militar para o cenário político, Braguin sustentou que o exercício do comando-geral já exige articulação institucional. Segundo ele, a interlocução frequente com a Assembleia Legislativa, a defesa de projetos da corporação e a negociação de pautas orçamentárias o colocaram em contato direto com o processo político. “O comando já é um exercício de diálogo e convencimento”, destacou, acrescentando que ouvir diferentes setores da sociedade tem sido parte desse processo de amadurecimento.
Com cerca de 30 meses à frente da corporação, período em que visitou praticamente todos os destacamentos policiais do estado, o coronel afirmou conhecer de perto as realidades sociais e econômicas dos municípios. Na sua avaliação, Rondônia possui arrecadação relevante, mas enfrenta limitações na capacidade de investimento, sobretudo em razão do peso da folha de pagamento e de distorções administrativas.
Entre as propostas defendidas, está a realização de uma reforma administrativa que promova maior eficiência e racionalização da máquina pública. Ele citou como exemplo a necessidade de revisar estruturas concentradas, defendendo mais autonomia orçamentária para órgãos estratégicos, especialmente na área de segurança, além de melhor gestão de pessoal. Para Braguim, é possível enxugar estruturas sem comprometer serviços essenciais, fortalecendo a governança e ampliando a capacidade de investimento.
No campo econômico, destacou o agronegócio como principal motor de Rondônia, mas defendeu que o estado avance na industrialização da produção, agregando valor internamente. “Não basta produzir; é preciso industrializar e gerar riqueza aqui”, afirmou. Segundo ele, ampliar competitividade, fortalecer cadeias produtivas e atrair investimentos são caminhos para aumentar arrecadação sem elevar impostos.
Sobre eventual relação com o Parlamento, afirmou que mantém postura aberta ao diálogo e que a construção de soluções deve ocorrer de forma conjunta, preservando a independência institucional. Para ele, o desenvolvimento do estado passa por cooperação entre os poderes e planejamento de longo prazo.
Sem poder oficializar candidatura neste momento, o coronel Braguim deixa claro que estuda a possibilidade de disputar o governo em 2026, pelo Partido Novo, com a convicção de que Rondônia pode avançar mais. A aposta, segundo ele, está na reorganização administrativa, no fortalecimento econômico e na ampliação da prosperidade social.
Confira a entrevista completa: