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    porto velho, segunda-feira 3 de agosto de 2026

“Eu não prometo nada”: Carlos Magno explica estratégia para voltar à ALE de RO

“Vou cobrar, vou trabalhar, vou montar um gabinete técnico, 50% técnico e 50% político, para ouvir a sociedade e poder ver o que eu posso fazer”, afirmou...


Redação

Publicada em: 03/08/2026 14:20:14 - Atualizado

Foto - Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá e conduzido excepcionalmente pelo comunicador e jornalista Ray Lavareda, que substitui temporariamente o titular durante sua viagem, o programa A Voz do Povo desta segunda-feira (3/08) recebeu o pré-candidato a deputado estadual Carlos Magno, que confirmou seu retorno à disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Rondônia e colocou a experiência acumulada em 45 anos de vida pública como um dos principais pilares de sua pré-candidatura.

Integrante do Solidariedade, partido que forma federação com o PRD, Carlos Magno explicou que a legenda conclui o processo de convenções para avançar à etapa de registro das candidaturas. A federação está alinhada ao PSD na disputa majoritária em Rondônia.

O retorno às urnas marca uma nova etapa na trajetória de um político que já exerceu mandatos de deputado estadual e federal, comandou a Prefeitura de Ouro Preto do Oeste e ocupou diferentes funções no Executivo. Seu último mandato eletivo foi de deputado federal, encerrado após as eleições de 2014, ano em que também enfrentou um transplante de fígado e disputou como candidato a vice na chapa de Jaqueline Cassol.

Depois disso, Carlos Magno concorreu ao Senado em 2018, quando recebeu cerca de 163 mil votos. Em 2022, participou do processo eleitoral, mas acabou não sendo candidato. Agora, decidiu buscar novamente uma vaga no Legislativo estadual.

Ao explicar o motivo do retorno, o pré-candidato afirmou que a decisão está menos relacionada a projetos pessoais e mais à intenção de utilizar a experiência adquirida durante décadas na política.

“Acredito eu que, nos meus 45 anos de vida pública, eu tô mais para servir, como sempre fiz. Mas não tem mais vaidade, não tem mais ambição, é mais para contribuir com a minha experiência”, declarou.

Campo como principal bandeira

A defesa do setor produtivo rural aparece como um dos eixos centrais do projeto político apresentado por Carlos Magno. Técnico agrícola de formação e produtor rural, ele relembrou sua passagem por órgãos ligados à agricultura e afirmou que pretende levar para a Assembleia debates envolvendo desde a agricultura familiar até médios e grandes produtores.

Foto - Rondonoticias

“Eu sento em qualquer mesa, subo na tribuna, eu vou falar de agricultura, de pecuária, do produtor rural, da agricultura familiar, do médio e grande produtor. É o meio que eu vivi, que eu vivo”, afirmou.

Carlos Magno também destacou a regularização fundiária como uma das questões que considera prioritárias para Rondônia. Na avaliação do pré-candidato, a ausência do título definitivo cria obstáculos que ultrapassam a propriedade da terra e atingem diretamente o acesso ao crédito e a regularização ambiental.

“O documento do produtor é o título definitivo da sua terra. É o documento de identidade que ele chega no banco para pegar um crédito, que ele chega no órgão ambiental para habilitar ambientalmente”, disse.

Críticas à gestão das áreas de conservação

A questão ambiental ocupou parte significativa da entrevista. Carlos Magno fez críticas à forma como o poder público criou e administrou unidades de conservação ao longo dos anos e relacionou parte dos atuais conflitos fundiários e ambientais à falta de acompanhamento dessas áreas.

“Acho que houve muita deficiência do poder público em criar essas unidades de conservação e não cuidá-las”, declarou.

Para o pré-candidato, existem situações em que famílias permanecem há décadas em áreas posteriormente atingidas por conflitos relacionados à destinação ambiental, o que exige, segundo ele, soluções técnicas construídas entre produtores, órgãos ambientais, Ministério Público e poder público.

“Há um tempo imenso para você reconhecer que lá não podia ficar o produtor, mas ele está lá há 20, 30 anos. Como é que você resolve isso? É um ser humano, a vida dele está lá”, questionou.

Ao mesmo tempo, Carlos Magno defendeu que produção agropecuária e preservação ambiental não precisam ocupar lados opostos. Segundo ele, políticas públicas e linhas de crédito podem estimular a recuperação ambiental nas propriedades.

“É possível se produzir com sustentabilidade. Hoje o nosso produtor rural está muito consciente da responsabilidade dele com o meio ambiente”, afirmou.

“Eu não prometo nada”

Em um momento de forte cobrança do eleitorado por resultados, Carlos Magno adotou um discurso diferente da tradicional apresentação de promessas de campanha. O pré-candidato afirmou que prefere assumir o compromisso de exercer as atribuições do mandato e evitou antecipar soluções que dependeriam das condições encontradas caso seja eleito.

“Eu não prometo nada. Como eu vou prometer algo que eu não sei o que eu vou encontrar? A única coisa que eu posso prometer é cumprir o meu papel”, declarou.

Segundo ele, uma eventual estrutura parlamentar seria dividida entre áreas técnica e política para manter interlocução com diferentes setores da sociedade e transformar demandas em atuação legislativa.

“Vou cobrar, vou trabalhar, vou montar um gabinete técnico, 50% técnico e 50% político, para ouvir a sociedade e poder ver o que eu posso fazer”, afirmou.

O pré-candidato também procurou associar sua trajetória política à capacidade de relacionamento construída ao longo das últimas décadas. Ele disse não trabalhar com uma estrutura eleitoral baseada principalmente em vereadores e classificou seus votos como resultado de relações construídas pessoalmente.

“Eu nunca pedi um voto na minha vida. Meus votos sempre são conquistados. Meu voto é orgânico. Primeiro eu faço amigos e ele se transforma em eleitor na época das campanhas”, afirmou.

Renovação e participação dos jovens

Mesmo se apresentando como um dos políticos mais antigos ainda em atividade no estado, Carlos Magno defendeu maior participação dos jovens na política e disse considerar natural a renovação dos quadros públicos.

“Eu entendo que os jovens têm que despertar para participar do processo político”, disse.

Para ele, conhecer a trajetória, as propostas e o histórico dos candidatos é parte fundamental da decisão eleitoral e também pode estimular novas gerações a deixarem a posição exclusiva de eleitor e participarem diretamente da vida pública.

Carlos Magno ainda defendeu a preservação da memória política e histórica de Rondônia, argumentando que parte da trajetória dos personagens envolvidos na formação do estado corre o risco de desaparecer com o passar das gerações.

Saúde continua como desafio

Questionado sobre problemas enfrentados por Rondônia em áreas como saúde, infraestrutura e segurança pública, Carlos Magno avaliou que as demandas sociais não desaparecem simplesmente com a ampliação dos serviços públicos.

Ao abordar especificamente a saúde, o ex-prefeito citou experiências pessoais e administrativas para sustentar que melhorias na estrutura também podem revelar e ampliar uma demanda anteriormente reprimida.

“Eu fui prefeito oito anos, eu fiz a minha parte, mas os problemas continuaram, porque quanto mais se melhora a saúde, a demanda aumenta”, afirmou.

Com a proximidade do início oficial da campanha, Carlos Magno entra novamente na disputa eleitoral apostando em uma combinação de experiência política, ligação histórica com o setor rural e defesa da regularização fundiária. Caso tenha o registro confirmado e seja eleito, será um retorno à Assembleia Legislativa décadas depois de sua primeira passagem pelo Parlamento estadual.

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