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    porto velho, quarta-feira 9 de setembro de 2026

“Essa bancada de Rondônia é uma ‘bancadinha’ mesmo”, critica Mauro Nazif

“O que mais as pessoas falam para mim é: ‘Mauro, volte. A bancada não é expressiva, a bancada não está nos representando’”, afirmou...


Redação

Publicada em: 09/09/2026 14:22:11 - Atualizado

Foto - Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quarta-feira (09/09) recebeu o candidato a deputado federal Dr. Mauro Nazif, ex-prefeito de Porto Velho, ex-deputado federal e ex-deputado estadual. Durante a entrevista, o médico fez duras críticas à atuação da atual bancada de Rondônia no Congresso Nacional, defendeu maior protagonismo político em Brasília e apontou a transposição dos servidores, os pedágios e a saúde pública entre os temas que pretende priorizar caso retorne à Câmara Federal.

Ao explicar o que o levou novamente à disputa eleitoral, Nazif afirmou que a decisão foi influenciada pelas cobranças que passou a receber da população. Segundo ele, existe uma percepção de que Rondônia perdeu força na representação de seus interesses em Brasília.

“O que mais as pessoas falam para mim é: ‘Mauro, volte. A bancada não é expressiva, a bancada não está nos representando’”, afirmou.

Como exemplo, Nazif retomou a discussão sobre a transposição dos servidores de Rondônia para os quadros da União. O candidato lembrou sua participação na elaboração da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 483, posteriormente transformada na Emenda Constitucional 60, e sustentou que ainda existem problemas que dependem de articulação política no Congresso.

Segundo ele, parte dos servidores que conseguiu ingressar no quadro federal acabou enquadrada em nível inferior ao que ocupava anteriormente, situação que teria provocado perdas financeiras e dificuldades principalmente para quem está próximo da aposentadoria.

“Tem gente com 65, 70 anos que ainda não se aposentou porque, se fizer isso, o salário vai ficar muito baixo. Tem muita gente assim. E a gente não pode se calar. Eu falo sempre: a política, para mim, é missão”, declarou.

Ao falar sobre seu histórico político, Nazif também destacou medidas adotadas durante seus mandatos. Entre elas, citou o fim da aposentadoria parlamentar na Assembleia Legislativa de Rondônia e voltou a atribuir à transposição um impacto relevante sobre as despesas do Estado, com a transferência de servidores para a folha da União.

Foto - Rondonoticias

O tom da entrevista ficou mais contundente quando o candidato foi questionado sobre a atual representação federal de Rondônia. Nazif relacionou sua crítica à falta de mobilização em temas que considera estratégicos e direcionou um recado aos parlamentares do estado.

“Cadê a bancada federal para intervir? Essa bancada é uma bancadinha mesmo”, disparou.

A crítica foi feita enquanto Nazif discutia a cobrança de pedágios e novos processos envolvendo a exploração de trechos rodoviários em Rondônia. Para ele, decisões com impacto direto sobre moradores e motoristas exigem acompanhamento mais firme dos representantes do estado em Brasília.

Nazif voltou a citar a transposição como exemplo do que considera falta de atuação política. “Não mexeram uma linha. Ninguém foi atrás. Olha o prejuízo para essas pessoas que precisam se aposentar e para outros tantos que ainda têm que entrar na transposição”, criticou.

Saúde como prioridade

Médico e ex-prefeito da capital, Mauro Nazif também colocou a saúde pública no centro de seu discurso político. Para ele, o principal problema não está necessariamente na ausência de recursos, mas na definição das prioridades de governo.

“Dinheiro não falta. Falta prioridade”, afirmou.

Nazif defendeu investimentos na estrutura hospitalar, melhoria das condições de atendimento e valorização dos profissionais. Entre as medidas citadas, apontou a necessidade de solucionar a situação do Hospital João Paulo II e ampliar a assistência em saúde mental, especialmente diante dos casos de depressão, ansiedade e suicídio.

“Vamos criar CAPS, colocar profissionais, médicos, psicólogos e assistentes sociais. Vamos remunerar bem. O problema é valorizar também os servidores”, defendeu.

Ao recordar sua passagem pela Prefeitura de Porto Velho, o candidato afirmou que buscou tratar a saúde como prioridade e citou a redução da jornada de profissionais para 30 horas e a ampliação do quadro de servidores. Também mencionou como parte de seu legado o enfrentamento da cheia histórica do rio Madeira, período em que milhares de pessoas ficaram desabrigadas.

Experiência contra a política da “embalagem”

Na reta final da entrevista, Mauro Nazif foi questionado sobre como pretende disputar espaço em um cenário eleitoral marcado pelas redes sociais e pela desconfiança de parte do eleitorado em relação à política tradicional. O candidato respondeu que pretende apresentar seu histórico como principal argumento para conquistar novamente a confiança dos eleitores.

“História. Quando você tem história, isso não se apaga”, resumiu.

Nazif afirmou que as redes sociais podem construir uma imagem atraente de um candidato, mas não substituem sua trajetória. Para ele, o eleitor deve observar o que cada concorrente realizou antes de decidir o voto.

“Você pode mostrar uma embalagem linda na rede social, mas, quando chega lá e abre, é oca. Na vida pública é a mesma coisa. Se você me perguntar como escolho um candidato, eu falo uma palavra só: história”, declarou.

Ao defender seu retorno à Câmara dos Deputados, Mauro Nazif procurou, assim, estabelecer a experiência acumulada como contraponto à atual representação de Rondônia. Entre críticas à bancada federal e cobranças por maior atuação em temas como transposição, pedágios e saúde, o candidato apresentou a própria trajetória política como principal credencial para buscar novamente uma cadeira no Congresso Nacional.

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