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porto velho, terça-feira 13 de outubro de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta terça-feira (13/10) recebeu o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, para uma entrevista marcada por cobranças políticas, avaliações da administração municipal e perspectivas para os próximos anos. Entre os assuntos abordados, o chefe do Executivo municipal fez duras críticas ao governo de Marcos Rocha, questionou a falta de apoio à capital e apresentou ações nas áreas de saúde, infraestrutura, segurança pública e desenvolvimento econômico.
Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando Léo Moraes abordou as dificuldades enfrentadas pelo município na relação com o governo estadual. Segundo o prefeito, Porto Velho não recebeu o apoio esperado, especialmente em relação a recursos e equipamentos necessários para atender às demandas da população.
“Não faz sentido o atual governo que nós temos falar que é municipalista e ter virado as costas para Porto Velho”, declarou.
Questionado por Arimar Souza de Sá se a crítica era direcionada ao governador Marcos Rocha, Léo Moraes confirmou e aprofundou sua avaliação sobre a condução política do Estado em relação à capital.
“Infelizmente, o governador não agiu como um estadista, como um homem que deve ter espírito público em atender Porto Velho”, afirmou.

O prefeito também mencionou dificuldades para obter apoio estadual na disponibilização de equipamentos e na execução de obras. Como exemplo, citou a necessidade de máquinas e caminhões para atender diferentes regiões do município, além de intervenções de infraestrutura que, segundo ele, poderiam ter avançado mais rapidamente com a participação do Estado.
Ao tratar dos investimentos, Léo fez referência à expectativa de recursos estaduais para obras na capital, defendendo que a cooperação institucional deve prevalecer sobre eventuais divergências políticas.
As críticas foram apresentadas pelo prefeito durante a entrevista. O governador Marcos Rocha não participou do programa para comentar as declarações.
Ao analisar o cenário político após as eleições, Léo Moraes também comentou a relação com o governador eleito Marcos Rogério (PL), a quem declarou apoio durante a campanha. O prefeito afirmou ter ficado satisfeito com o resultado das urnas e destacou a expectativa de uma relação mais próxima entre o governo estadual e a administração da capital.
Durante a entrevista, elogiou a postura do governador eleito e afirmou ter identificado conhecimento sobre os desafios da administração pública, especialmente em relação à responsabilidade fiscal e à execução de compromissos assumidos durante a campanha.
“Eu fiquei realmente muito à vontade e muito confiante que o governador tem condições de conduzir muito bem o seu mandato”, declarou.
Apesar da avaliação positiva, Léo ressaltou que a parceria precisará se traduzir em investimentos concretos. Segundo ele, Marcos Rogério assumiu o compromisso de encaminhar R$ 200 milhões em recursos para Porto Velho, além de garantir maior protagonismo à capital nas decisões do próximo governo estadual.
O prefeito defendeu que o desenvolvimento de Porto Velho beneficia diretamente os demais municípios rondonienses, uma vez que a capital concentra serviços, atividades econômicas e demandas de diferentes regiões do estado.
Para Léo Moraes, o compromisso com a capital precisa ser acompanhado de ações efetivas, especialmente em infraestrutura e melhoria dos serviços públicos.
Ao apresentar um balanço da administração municipal, Léo Moraes apontou a saúde como uma das principais áreas de atuação da Prefeitura, embora tenha reconhecido que ainda existem problemas a serem enfrentados.
“A saúde não está resolvida, nós temos muita coisa para fazer”, afirmou.
Entre as iniciativas mencionadas, o prefeito destacou a entrega e a reforma de unidades de saúde, incluindo estruturas na Vila Teotônio, no bairro Três Marias e a UPA da Zona Leste.
Outro ponto da entrevista foi o início dos atendimentos no Hospital Universitário de Porto Velho. Segundo Léo, a parceria entre o município, o Ministério da Saúde e a AgSUS permitiu antecipar a oferta de consultas e exames especializados.
O prefeito explicou que o modelo busca integrar consultas e procedimentos diagnósticos, permitindo que o paciente realize diferentes etapas do atendimento na mesma unidade, com serviços como cardiologia, ortopedia, oftalmologia e exames de imagem.
Também mencionou a implantação do Corujão da Saúde nas zonas Sul e Leste, com ampliação do horário de funcionamento e atendimento pediátrico.
Ao abordar os resultados da administração, Léo relacionou essas iniciativas ao avanço de Porto Velho no ranking de competitividade dos municípios, ressaltando que ainda existem desafios estruturais na rede municipal de saúde.
Questionado sobre o saneamento básico, Léo Moraes criticou o modelo adotado para a prestação dos serviços de água e esgoto e demonstrou preocupação com a situação enfrentada pelos moradores da capital.
Segundo ele, o município participa das discussões sobre a concessão dos serviços, mas pretende retomar o diálogo com o próximo governo estadual para buscar alternativas que atendam às necessidades da população.
“Porque do jeito que está e do jeito que deixaram acontecer isso daqui, para mim, é inaceitável”, declarou.
O prefeito afirmou que a falta de saneamento provoca consequências em diferentes áreas, especialmente na saúde pública, e destacou a necessidade de investimentos para ampliar o acesso à água tratada e à coleta de esgoto.
Na área de drenagem, Léo mencionou intervenções em pontos historicamente afetados por alagamentos, incluindo a Rua México e trechos da Avenida Guaporé.
Também citou a instalação de ecobueiros, equipamentos que permitem reter e retirar resíduos antes que provoquem obstruções na rede de drenagem, além de ecobarreiras destinadas a conter materiais descartados nos canais.
Segundo o prefeito, essas medidas fazem parte de um conjunto de intervenções para reduzir os impactos das chuvas e melhorar o escoamento da água em diferentes regiões da cidade.
A segurança pública também ganhou espaço na entrevista. Embora tenha reconhecido que a responsabilidade principal pelo policiamento é do Estado, Léo Moraes afirmou que a Prefeitura tem procurado contribuir com medidas complementares.
Entre elas, mencionou a atividade delegada, modalidade que permite a atuação remunerada de policiais durante seus períodos de folga, mediante acordo com o município.
O prefeito também destacou o programa Comércio Protegido, voltado ao reforço do patrulhamento em áreas comerciais, com o objetivo de prevenir furtos e arrombamentos.
“A gente não tem ficado indiferente diante de tanta dor, diante de tanto prejuízo à população”, afirmou.
Em relação à Guarda Municipal, Léo informou que o concurso público já passou pela etapa de provas. Segundo o planejamento apresentado, 2027 será dedicado à preparação dos futuros integrantes, incluindo investigação social, com expectativa de início das atividades da corporação em 2028.
O prefeito ressaltou que a criação da Guarda Municipal busca fortalecer a atuação preventiva e colaborar com as demais forças de segurança pública.
Ao ser questionado por Arimar Souza de Sá sobre as dificuldades enfrentadas pelos moradores dos distritos, o prefeito reconheceu a necessidade de ampliar a presença do poder público nas comunidades mais distantes.
Léo Moraes afirmou que o município precisa fortalecer a estrutura de máquinas e equipamentos destinados à manutenção das estradas rurais, além de ampliar programas de incentivo à produção.
Nesse contexto, destacou o Porteira Dentro, o programa de distribuição de calcário e o apoio técnico às agroindústrias.
Segundo o prefeito, a administração trabalha para ampliar o número de empreendimentos certificados, permitindo que produtores comercializem seus produtos em outros municípios e estados.
Léo também mencionou o fortalecimento das atividades produtivas nos distritos como estratégia para estimular a economia local e ampliar as oportunidades de renda.
Para o prefeito, o apoio aos produtores contribui para manter as famílias no campo, fortalecer o comércio regional e incentivar o desenvolvimento econômico das comunidades rurais.
A entrevista também abordou políticas destinadas aos jovens, especialmente programas de estágio, aprendizagem e qualificação profissional.
Léo Moraes destacou a intenção de ampliar parcerias com instituições de capacitação e mencionou iniciativas voltadas à inserção de estudantes no mercado de trabalho.
Na educação municipal, afirmou que a administração adotou critérios técnicos para a escolha de diretores escolares, incluindo avaliações, entrevistas e apresentação de planos de ação.
O prefeito também defendeu a ampliação das atividades no contraturno escolar, com oportunidades nas áreas de esporte, artes e robótica.
Segundo Léo, essas iniciativas buscam fortalecer a formação dos estudantes e oferecer novas possibilidades de desenvolvimento educacional e profissional.
Ao longo da conversa, o prefeito procurou relacionar as medidas anunciadas aos compromissos assumidos pela administração municipal, mas reconheceu limitações financeiras e a necessidade de parcerias para ampliar os investimentos.
A entrevista foi marcada, sobretudo, pela cobrança de maior cooperação entre Estado e município. Ao mesmo tempo em que apresentou ações de sua gestão, Léo Moraes deixou clara a expectativa de que o próximo governo estadual transforme os compromissos políticos assumidos com Porto Velho em recursos, obras e melhorias concretas para a população.
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