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    porto velho, sexta-feira 9 de outubro de 2026

“Não houve caça às bruxas”, afirma Gedeão sobre quase 700 exonerações na Câmara

Presidente da Câmara nega retaliação política após derrota eleitoral da esposa, revela pressão financeira para cumprir exigências dos órgãos de controle e comenta eleição...


Redação

Publicada em: 09/10/2026 14:37:04 - Atualizado

Foto - Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta sexta-feira (09/10) recebeu o presidente da Câmara Municipal de Porto Velho, vereador Gedeão Negreiros, para uma entrevista marcada por explicações sobre a exoneração de quase 700 servidores comissionados, questionamentos envolvendo possíveis motivações políticas e mudanças no comando do Legislativo municipal para o biênio 2027-2028.

Durante a conversa, transmitida pela Rádio Caiari, Gedeão enfrentou perguntas sobre uma das decisões mais controversas de sua gestão: a redução expressiva do quadro de funcionários da Câmara poucos dias após as eleições de 2026. O parlamentar negou que as exonerações tenham relação com o resultado eleitoral de sua esposa, Gláucia Negreiros, e sustentou que os cortes foram necessários para adequar as despesas da instituição à queda na arrecadação municipal e permitir a convocação de servidores aprovados em concurso público.

Ao introduzir o assunto, Arimar destacou a repercussão das demissões e questionou diretamente o presidente sobre os critérios utilizados para afastar tantos trabalhadores.

“O que efetivamente aconteceu que lhe permitiu demitir tanta gente, presidente?”, perguntou o apresentador.

Em resposta, Gedeão afirmou que a situação financeira do Legislativo exigiu decisões difíceis, especialmente diante das obrigações previstas para o encerramento do exercício.

“A responsabilidade do presidente é muito grande. O presidente só é o presidente porque ele tem que tomar decisões”, declarou.

Segundo o vereador, a redução da arrecadação de Porto Velho ao longo de 2026 afetou diretamente o orçamento da Câmara, tornando necessária uma reorganização administrativa para assegurar o pagamento de salários, férias, décimo terceiro e demais compromissos financeiros.

O presidente explicou que as exonerações atingiram assessores dos gabinetes parlamentares, da presidência e de setores administrativos da Casa. Conforme seu relato, a situação financeira foi compartilhada com os 23 vereadores.

Gedeão também afirmou que a Câmara precisava cumprir determinações e orientações dos órgãos de controle relacionadas à composição do quadro funcional, especialmente quanto à proporção entre servidores efetivos e comissionados.

“Eu tenho que dar posse pros concursados. E pra isso tem que ter dinheiro pra pagar esse povo”, ressaltou.

Ao justificar a medida, o presidente reconheceu o impacto social das demissões e afirmou que o episódio representou um dos momentos mais delicados de sua trajetória política.

“Pra mim foi o momento mais difícil do meu mandato de vereador e também como presidente”, admitiu.

Na sequência, utilizou uma expressão para descrever a responsabilidade que assumiu diante de problemas administrativos discutidos, segundo ele, há anos no Legislativo.

“Infelizmente, a batata quente caiu na minha mão”, afirmou, acrescentando que pretende solucionar as pendências antes do encerramento de sua gestão na presidência.

Foto - Rondonoticias

A entrevista ganhou um tom ainda mais político quando Arimar questionou por que as exonerações ocorreram justamente depois das eleições. O jornalista mencionou comentários que circulavam sobre uma possível ligação entre os cortes e a derrota eleitoral de Gláucia Negreiros, esposa do presidente da Câmara.

Gedeão rejeitou a interpretação e afirmou que a decisão administrativa não teve caráter de perseguição ou represália.

“Não está nada atrelado à questão política”, declarou.

Ao abordar diretamente as críticas, o parlamentar reforçou que não houve qualquer tentativa de punir servidores por questões eleitorais.

“Não tem aquela caça às bruxas, porque muita gente está falando na internet”, disse.

O presidente argumentou que as discussões sobre a necessidade de reduzir despesas já ocorriam havia mais de 90 dias e que o acompanhamento da situação orçamentária começou ainda em fevereiro. Segundo ele, a proximidade do período eleitoral também influenciou o momento escolhido para executar as medidas, justamente para evitar associações entre decisões administrativas e a disputa nas urnas.

Gedeão defendeu ainda a trajetória política de Gláucia Negreiros, afirmando que ela recebeu votação expressiva em sua primeira candidatura e que o resultado não interferiu em suas decisões como presidente do Legislativo.

“A minha esposa foi candidata, graças a Deus foi muito bem votada, por pouco não é deputada hoje”, comentou.

Apesar das justificativas, Arimar insistiu na necessidade de esclarecer se houve planejamento para evitar uma redução tão ampla no quadro de servidores. O apresentador questionou quando a presidência identificou o agravamento das dificuldades financeiras e se as contratações haviam sido dimensionadas corretamente.

Em resposta, Gedeão afirmou que a administração acompanhava mensalmente a arrecadação e que as medidas foram tomadas diante da necessidade de fechar as contas da Câmara.

O vereador também garantiu que os trabalhadores exonerados receberão os valores rescisórios e demais direitos previstos, incluindo férias e eventuais pagamentos acumulados.

Além da contenção de despesas, Gedeão afirmou que a Câmara já havia adotado medidas de contingenciamento e redução de contratos. Segundo ele, o objetivo é manter os serviços essenciais e abrir espaço financeiro para a posse dos aprovados no concurso público.

Outro tema de destaque foi a mudança no comando da Câmara Municipal. Na manhã desta sexta-feira (9), os vereadores realizaram uma nova eleição para definir a Mesa Diretora responsável pela condução do Legislativo no biênio 2027-2028.

O vereador Zé Paroca (Avante) foi eleito presidente da Casa para o próximo período, enquanto Gedeão Negreiros passará a ocupar a vice-presidência.

A nova votação ocorreu após questionamentos sobre a validade da eleição antecipada realizada anteriormente. Conforme explicado durante o programa, o impasse envolveu o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a escolha antecipada de mesas diretoras para mandatos futuros.

A composição anterior previa o vereador pastor Evanildo na presidência, mas foi substituída após a realização da nova eleição.

Com a definição, Zé Paroca assumirá o comando da Câmara em 2027, em um cenário de mudanças administrativas, recomposição do quadro de servidores e reorganização das forças políticas dentro do Legislativo municipal.

Durante a entrevista, Gedeão também destacou projetos aprovados sob sua presidência, entre eles uma proposta de sua autoria que cria um cartão destinado à aquisição de materiais escolares por famílias de estudantes da rede pública municipal.

Segundo o parlamentar, o projeto já passou por duas votações na Câmara e foi encaminhado ao gabinete do prefeito. A proposta prevê que os responsáveis pelos alunos possam utilizar valores disponibilizados por meio do cartão para comprar materiais escolares em estabelecimentos comerciais de Porto Velho.

O vereador argumentou que a iniciativa busca beneficiar estudantes e famílias, além de movimentar o comércio local.

“As papelarias do município de Porto Velho vão ter o direito de vender esses materiais, e isso é muito importante, não só pensar nas crianças, mas também pensar na classe empresarial”, defendeu.

Ao fazer um balanço de sua experiência à frente da Câmara, Gedeão reconheceu as diferenças entre a administração pública e a iniciativa privada, destacando a burocracia e a responsabilidade de administrar recursos públicos.

“A coisa pública é muito dinâmica, a coisa pública é muito lenta, a coisa particular é muito rápida”, comparou.

Diante das críticas, Gedeão Negreiros sustentou que sua prioridade é encerrar o mandato com as contas equilibradas, cumprir as exigências dos órgãos de controle e assegurar a convocação dos servidores concursados, mesmo diante do desgaste provocado pelas medidas.

“Eu respeito as críticas, mas eu tenho que ter a responsabilidade também com o concursado”, concluiu ao defender a decisão.

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