Fundado em 11/10/2001
porto velho, sexta-feira 9 de outubro de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta sexta-feira (09/10) recebeu o presidente da Câmara Municipal de Porto Velho, vereador Gedeão Negreiros, para uma entrevista marcada por explicações sobre a exoneração de quase 700 servidores comissionados, questionamentos envolvendo possíveis motivações políticas e mudanças no comando do Legislativo municipal para o biênio 2027-2028.
Durante a conversa, transmitida pela Rádio Caiari, Gedeão enfrentou perguntas sobre uma das decisões mais controversas de sua gestão: a redução expressiva do quadro de funcionários da Câmara poucos dias após as eleições de 2026. O parlamentar negou que as exonerações tenham relação com o resultado eleitoral de sua esposa, Gláucia Negreiros, e sustentou que os cortes foram necessários para adequar as despesas da instituição à queda na arrecadação municipal e permitir a convocação de servidores aprovados em concurso público.
Ao introduzir o assunto, Arimar destacou a repercussão das demissões e questionou diretamente o presidente sobre os critérios utilizados para afastar tantos trabalhadores.
“O que efetivamente aconteceu que lhe permitiu demitir tanta gente, presidente?”, perguntou o apresentador.
Em resposta, Gedeão afirmou que a situação financeira do Legislativo exigiu decisões difíceis, especialmente diante das obrigações previstas para o encerramento do exercício.
“A responsabilidade do presidente é muito grande. O presidente só é o presidente porque ele tem que tomar decisões”, declarou.
Segundo o vereador, a redução da arrecadação de Porto Velho ao longo de 2026 afetou diretamente o orçamento da Câmara, tornando necessária uma reorganização administrativa para assegurar o pagamento de salários, férias, décimo terceiro e demais compromissos financeiros.
O presidente explicou que as exonerações atingiram assessores dos gabinetes parlamentares, da presidência e de setores administrativos da Casa. Conforme seu relato, a situação financeira foi compartilhada com os 23 vereadores.
Gedeão também afirmou que a Câmara precisava cumprir determinações e orientações dos órgãos de controle relacionadas à composição do quadro funcional, especialmente quanto à proporção entre servidores efetivos e comissionados.
“Eu tenho que dar posse pros concursados. E pra isso tem que ter dinheiro pra pagar esse povo”, ressaltou.
Ao justificar a medida, o presidente reconheceu o impacto social das demissões e afirmou que o episódio representou um dos momentos mais delicados de sua trajetória política.
“Pra mim foi o momento mais difícil do meu mandato de vereador e também como presidente”, admitiu.
Na sequência, utilizou uma expressão para descrever a responsabilidade que assumiu diante de problemas administrativos discutidos, segundo ele, há anos no Legislativo.
“Infelizmente, a batata quente caiu na minha mão”, afirmou, acrescentando que pretende solucionar as pendências antes do encerramento de sua gestão na presidência.

A entrevista ganhou um tom ainda mais político quando Arimar questionou por que as exonerações ocorreram justamente depois das eleições. O jornalista mencionou comentários que circulavam sobre uma possível ligação entre os cortes e a derrota eleitoral de Gláucia Negreiros, esposa do presidente da Câmara.
Gedeão rejeitou a interpretação e afirmou que a decisão administrativa não teve caráter de perseguição ou represália.
“Não está nada atrelado à questão política”, declarou.
Ao abordar diretamente as críticas, o parlamentar reforçou que não houve qualquer tentativa de punir servidores por questões eleitorais.
“Não tem aquela caça às bruxas, porque muita gente está falando na internet”, disse.
O presidente argumentou que as discussões sobre a necessidade de reduzir despesas já ocorriam havia mais de 90 dias e que o acompanhamento da situação orçamentária começou ainda em fevereiro. Segundo ele, a proximidade do período eleitoral também influenciou o momento escolhido para executar as medidas, justamente para evitar associações entre decisões administrativas e a disputa nas urnas.
Gedeão defendeu ainda a trajetória política de Gláucia Negreiros, afirmando que ela recebeu votação expressiva em sua primeira candidatura e que o resultado não interferiu em suas decisões como presidente do Legislativo.
“A minha esposa foi candidata, graças a Deus foi muito bem votada, por pouco não é deputada hoje”, comentou.
Apesar das justificativas, Arimar insistiu na necessidade de esclarecer se houve planejamento para evitar uma redução tão ampla no quadro de servidores. O apresentador questionou quando a presidência identificou o agravamento das dificuldades financeiras e se as contratações haviam sido dimensionadas corretamente.
Em resposta, Gedeão afirmou que a administração acompanhava mensalmente a arrecadação e que as medidas foram tomadas diante da necessidade de fechar as contas da Câmara.
O vereador também garantiu que os trabalhadores exonerados receberão os valores rescisórios e demais direitos previstos, incluindo férias e eventuais pagamentos acumulados.
Além da contenção de despesas, Gedeão afirmou que a Câmara já havia adotado medidas de contingenciamento e redução de contratos. Segundo ele, o objetivo é manter os serviços essenciais e abrir espaço financeiro para a posse dos aprovados no concurso público.
Outro tema de destaque foi a mudança no comando da Câmara Municipal. Na manhã desta sexta-feira (9), os vereadores realizaram uma nova eleição para definir a Mesa Diretora responsável pela condução do Legislativo no biênio 2027-2028.
O vereador Zé Paroca (Avante) foi eleito presidente da Casa para o próximo período, enquanto Gedeão Negreiros passará a ocupar a vice-presidência.
A nova votação ocorreu após questionamentos sobre a validade da eleição antecipada realizada anteriormente. Conforme explicado durante o programa, o impasse envolveu o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a escolha antecipada de mesas diretoras para mandatos futuros.
A composição anterior previa o vereador pastor Evanildo na presidência, mas foi substituída após a realização da nova eleição.
Com a definição, Zé Paroca assumirá o comando da Câmara em 2027, em um cenário de mudanças administrativas, recomposição do quadro de servidores e reorganização das forças políticas dentro do Legislativo municipal.
Durante a entrevista, Gedeão também destacou projetos aprovados sob sua presidência, entre eles uma proposta de sua autoria que cria um cartão destinado à aquisição de materiais escolares por famílias de estudantes da rede pública municipal.
Segundo o parlamentar, o projeto já passou por duas votações na Câmara e foi encaminhado ao gabinete do prefeito. A proposta prevê que os responsáveis pelos alunos possam utilizar valores disponibilizados por meio do cartão para comprar materiais escolares em estabelecimentos comerciais de Porto Velho.
O vereador argumentou que a iniciativa busca beneficiar estudantes e famílias, além de movimentar o comércio local.
“As papelarias do município de Porto Velho vão ter o direito de vender esses materiais, e isso é muito importante, não só pensar nas crianças, mas também pensar na classe empresarial”, defendeu.
Ao fazer um balanço de sua experiência à frente da Câmara, Gedeão reconheceu as diferenças entre a administração pública e a iniciativa privada, destacando a burocracia e a responsabilidade de administrar recursos públicos.
“A coisa pública é muito dinâmica, a coisa pública é muito lenta, a coisa particular é muito rápida”, comparou.
Diante das críticas, Gedeão Negreiros sustentou que sua prioridade é encerrar o mandato com as contas equilibradas, cumprir as exigências dos órgãos de controle e assegurar a convocação dos servidores concursados, mesmo diante do desgaste provocado pelas medidas.
“Eu respeito as críticas, mas eu tenho que ter a responsabilidade também com o concursado”, concluiu ao defender a decisão.
ASSISTA A ENTREVISTA AO VIVO, COMPLETA E NA ÍNTEGRA AQUI: