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porto velho, sexta-feira 23 de outubro de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta sexta-feira (23/10) recebeu o ex-senador da República e ex-ministro da Previdência Social Amir Lando para uma análise dos resultados das eleições de 2026 em Rondônia, da força do bolsonarismo no estado e dos desafios que aguardam os novos representantes políticos. Durante a entrevista, o ex-parlamentar fez duras críticas à atuação da bancada federal, questionou a falta de posicionamento diante dos problemas enfrentados pela população e defendeu uma profunda renovação na política brasileira.
Ao avaliar a vitória de Marcos Rogério (PL) ainda no primeiro turno da disputa pelo Governo de Rondônia, Amir Lando foi categórico ao atribuir o resultado à influência do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o eleitorado rondoniense.
“Foi da onda, por isso que eu falei, da onda, onda, onda”, afirmou, ao responder se o resultado representava uma vitória pessoal do candidato ou da força política bolsonarista.
Na avaliação do ex-ministro, o desempenho eleitoral do PL demonstra que o conservadorismo continua exercendo forte influência sobre a população do estado. Ele destacou que o movimento também contribuiu para a eleição de representantes ao Senado e à Câmara dos Deputados.
“O bolsonarismo em Rondônia é realmente aceito, é acolhido por uma grande parte da população”, declarou.
Apesar de reconhecer a força eleitoral do grupo, Amir Lando ponderou que o verdadeiro teste dos eleitos será a capacidade de transformar o apoio recebido nas urnas em resultados concretos para a sociedade.
Bancada federal de Rondônia é alvo de duras críticas
Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando Amir Lando foi questionado sobre a renovação política em Rondônia e se os resultados das eleições representavam uma mudança efetiva ou apenas a substituição de nomes dentro dos grupos tradicionais.
O ex-senador afirmou que pretende avaliar os novos representantes pelo desempenho de seus mandatos, mas aproveitou para criticar a postura de parlamentares que, segundo ele, permanecem omissos diante de questões fundamentais para o estado.
“O que a gente nota sempre é que as nossas bancadas são silentes. Elas vão para Brasília e é um monumento ao silêncio. Todo mundo quietinho”, disparou.
Entre os problemas mencionados, Amir Lando destacou os preços elevados das passagens aéreas, as tarifas de energia elétrica e os custos de pedágio, assuntos que, em sua avaliação, deveriam receber maior atenção dos representantes de Rondônia no Congresso Nacional.
“Eu vejo um silêncio. Eu vejo que ninguém mete o bico”, criticou.
O ex-ministro também demonstrou insatisfação com a reeleição de parlamentares que, segundo sua avaliação, não apresentaram resultados expressivos durante os mandatos anteriores.
“Reelegeu figuras que não deram um prego numa barra de sabão e continuam lá no parlamento”, afirmou.
Para Amir Lando, a quantidade de votos recebidos por um candidato não deve ser confundida com a qualidade de sua atuação política. Ele defendeu que os representantes sejam avaliados pelas ações desenvolvidas e pelos benefícios efetivamente entregues à população.
“Eu quero qualidade. Eu quero uma análise qualitativa, ou seja, uma aferição realmente daquilo que vale, daquilo que foi feito para valer”, ressaltou.
Além das questões econômicas, o ex-senador cobrou maior enfrentamento dos problemas relacionados à educação, à segurança pública e ao avanço do crime organizado, inclusive nas áreas rurais de Rondônia.
Diante da chegada de novos integrantes à bancada federal, afirmou esperar uma postura diferente dos eleitos.
“Eu quero uma bancada valente”, declarou, acrescentando que pretende acompanhar se os novos senadores e deputados terão coragem para defender os interesses do estado.
Marcos Rogério terá de transformar promessas em resultados
Ao comentar a concentração de força política conquistada pelo PL com a eleição de Marcos Rogério, Amir Lando afirmou que a capacidade de reação da oposição dependerá diretamente do desempenho da próxima administração estadual.
Segundo ele, um governo bem avaliado poderá consolidar o apoio popular recebido nas urnas. Por outro lado, a ausência de resultados poderá provocar insatisfação entre os eleitores.
“Se o governo fizer um mandato satisfatório ou, vamos dizer assim, algo excepcionalmente bom, isso vai ser consagrado. Se não fizer isso, a repulsa virá da sociedade”, avaliou.
O ex-ministro destacou que a população espera soluções práticas para problemas antigos e demonstrou preocupação com a distância entre os compromissos assumidos durante as campanhas e sua execução depois das eleições.
“A sociedade não aguenta mais conversa, não aguenta mais meras palavras. É preciso dar às palavras a força da ação concreta”, afirmou.
Como exemplo dos desafios que aguardam o novo governo, Amir Lando mencionou a situação da saúde pública estadual, especialmente os problemas estruturais dos hospitais e a necessidade de melhorar o atendimento à população.
Para ele, a melhoria dos serviços públicos deverá ser um dos principais critérios para avaliar o desempenho da próxima gestão.
Amir Lando defende mudanças no STF e mandato para ministros
A discussão também avançou para o cenário nacional, com críticas à estrutura do Poder Judiciário e à relação entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e setores da sociedade.
Amir Lando defendeu uma reforma no Judiciário, com alterações nas regras de escolha e permanência dos integrantes dos tribunais superiores.
“Tem que haver a reforma do Judiciário”, afirmou.
Entre as propostas defendidas pelo ex-senador está a substituição da permanência até a aposentadoria compulsória por mandatos com duração determinada, especialmente no Supremo Tribunal Federal.
“Eu acho que tem que ser nos tribunais superiores, mas sobretudo no Supremo”, declarou.
O ex-ministro também afirmou que os conflitos envolvendo o Judiciário precisam ser enfrentados por meio de mecanismos institucionais, respeitando as garantias legais.
“Eu não estou dizendo condenação, porque tudo depende do devido processo legal”, ponderou.
MDB perdeu identidade e precisa ser reconstruído, avalia ex-ministro
Integrante de uma das legendas mais tradicionais da política brasileira, Amir Lando também fez uma avaliação crítica da situação do MDB em Rondônia, partido que já exerceu grande influência na administração estadual e na representação política do estado.

Questionado sobre a perda de protagonismo da sigla, o ex-senador afirmou que a falta de renovação e de objetivos programáticos contribuiu para o enfraquecimento da legenda.
“Quando o partido perde os objetivos, quando perde a perspectiva da esperança, o partido fica aí numa situação letárgica”, explicou.
Na avaliação de Amir Lando, o problema não se limita ao MDB. Ele considera que diversas legendas brasileiras perderam suas características ideológicas e passaram a funcionar principalmente como instrumentos de disputa eleitoral.
“Os partidos hoje são ferramentas para se alcançar a vitória eleitoral”, criticou.
O ex-ministro também mencionou o Partido dos Trabalhadores (PT), afirmando que a legenda depende fortemente da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não conseguiu construir uma renovação capaz de produzir outras lideranças nacionais com a mesma força eleitoral.
“Aqui, o PT, quem levanta é o presidente Lula. Se não tivesse o Lula, realmente também seria um partido em processo de definimento”, declarou, conforme a transcrição da entrevista.
Apesar das críticas ao MDB, Amir Lando demonstrou disposição para participar de um processo de reconstrução partidária, defendendo a recuperação dos princípios históricos da legenda e a formulação de propostas voltadas ao futuro.
“O MDB perdeu. Então, é preciso reconstruí-lo da sua base”, afirmou.
Polarização entre Lula e Bolsonaro também entra no debate
Ao analisar o ambiente político nacional, Amir Lando criticou o confronto permanente entre grupos de esquerda e direita, argumentando que a disputa ideológica tem prejudicado a discussão de soluções para os problemas brasileiros.
O ex-senador afirmou que o enfrentamento político prolongado pode comprometer a capacidade de governar e afastar a atenção das necessidades da população.
“Nós temos que buscar a conciliação, a unificação, a unidade. Nós temos que encontrar concórdia, porque é uma cilada eu ficar brigando quatro anos contra o meu adversário e não faço nada”, declarou.
Questionado sobre a postura do presidente Lula diante das divisões políticas, Amir Lando avaliou que o chefe do Executivo não conseguiu superar o ambiente de confronto.
“Eu acho que não conseguiu, ficou preso a esse laço”, afirmou.
Para o ex-ministro, a disputa permanente entre adversários políticos não produz benefícios concretos e contribui para o acúmulo de problemas sociais e econômicos.
“É uma perda de tempo monstruosa, enquanto isso os problemas se acumulam”, criticou.
Ao encerrar sua reflexão sobre os rumos da política, Amir Lando defendeu que os governantes deixem de concentrar esforços nos conflitos partidários e priorizem ações capazes de melhorar as condições de vida da população.
“O ódio não constrói, o ódio destrói”, concluiu.
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