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porto velho, sexta-feira 23 de outubro de 2026

As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) ajustam as últimas estratégias para o último debate presidencial, nesta sexta-feira (23), na TV Globo.
Flávio tem sido orientado a demonstrar maior domínio técnico e indignação com os problemas do país.
Lula recebeu recomendações para manter a calma, valorizar o legado dos governos petistas e evitar cair em provocações.
Escalado para participar da preparação de Flávio, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cobra uma mudança de postura em relação ao debate anterior, na TV Band.
A avaliação no entorno de Tarcísio é que Flávio foi repetitivo, deixou passar oportunidades para explorar erros do governo Lula e não aprofundou temas considerados sensíveis, especialmente economia e segurança pública.
Na economia, uma das principais apostas é um amplo programa de renegociação de dívidas, com juros menores e prazos maiores de pagamento. Flávio também promete um “tesouraço” na máquina pública, com a extinção de pelo menos dez ministérios.
Na segurança, defende a redução da maioridade penal para 16 anos e o enquadramento de facções criminosas como organizações narcoterroristas.
Aliados querem que o senador vá além das críticas ao PT e consiga explicar o que faria de diferente caso fosse eleito.
Além de Tarcísio, participam dos treinamentos Duda Lima, Fábio Portela e o consultor de comunicação Mário Rosa, especialista em gestão de crises.
Rosa, segundo aliados, pode ajudar Flávio a responder a questões sensíveis, como suas relações com o advogado Willer Tomaz e o banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal investiga suspeitas de que a relação entre o senador e Willer Tomaz envolva uma sociedade oculta em negócios de apostas esportivas.
Lula é orientado a manter a calma e valorizar legado
Do lado do presidente, a principal recomendação é evitar provocações e concentrar o discurso nas realizações dos governos petistas, sem deixar de apresentar propostas para um eventual novo mandato.
A campanha pretende explorar a experiência de Lula na Presidência, especialmente na área social, mas também prepara o candidato para confrontar Flávio em temas considerados delicados.
A orientação é impedir que o debate seja apenas uma troca de acusações, como ocorreu na Band.
Lula passou a quinta-feira (22) em preparação com integrantes da campanha. Participaram dos treinamentos o senador Camilo Santana, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, o ministro Sidônio Palmeira e a jornalista Olga Curado. O presidente também foi orientado a poupar a voz antes do confronto.
A equipe simulou perguntas sobre economia, custo de vida, segurança pública, benefícios sociais e assuntos que poderão ser explorados pelo adversário.
Entre eles está a relação com a lobista Roberta Luchsinger. Caso seja questionado, Lula foi orientado a afirmar que a atuação dela está sendo investigada pela Polícia Federal, sem entrar em detalhes.
O presidente também foi preparado para questionar Flávio sobre Willer Tomaz e Daniel Vorcaro. Aliados reconhecem, porém, que Lula evita citar nominalmente personagens envolvidos em controvérsias e prefere concentrar o confronto no próprio adversário.
Na economia, Lula deve reconhecer as dificuldades da população, especialmente com o custo de vida, e destacar medidas adotadas pelo governo para melhorar a renda das famílias.
A campanha também pretende ressaltar o histórico dos governos petistas na área social, com destaque para os programas de transferência de renda.