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porto velho, sexta-feira 16 de janeiro de 2026

Para as mais de 10 milhões de pessoas que convivem com doenças inflamatórias intestinais (DII), como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, cada refeição pode ser um campo minado. A relação com alimentos é marcada pelo medo de desencadear dor abdominal, diarreia, sangramento e fadiga. No entanto, a ciência tem evoluído para mostrar que a nutrição é uma peça-chave no manejo da doença.
Diferentemente do que se possa imaginar, não existe uma "dieta para DII". O consenso entre gastroenterologistas e nutricionistas é de que a abordagem deve ser individualizada.
As DII costumam evoluir em duas fases bem distintas: a fase ativa, quando há crises e inflamação intensa, e a fase de remissão, quando a doença está controlada e os pacientes apresentam poucos sintomas ou estão assintomáticos. Saber o que comer em cada uma delas faz toda a diferença para a recuperação e o bem-estar do paciente.
Durante a fase ativa (ou de crise), o intestino precisa de um “descanso”. O foco da alimentação é reduzir o esforço digestivo, com uma dieta de baixo resíduo e poucas fibras insolúveis, como batata inglesa (sem casca), cenoura cozida, arroz branco, maçã sem casca, banana prata e inhame.
Quando a doença entra em remissão, a prioridade passa a ser a recuperação do equilíbrio intestinal e isso inclui a reintrodução lenta e gradual de alimentos como aveia, leguminosas (feijão, ervilha), frutas cítricas e sementes de chia e linhaça, que servem de alimento para as bactérias benéficas do intestino.
"O paciente com DII precisa ser visto de forma integral. O que comemos afeta diretamente a flora intestinal, a mucosa e a inflamação. Nas crises, o foco é poupar o intestino e aliviar os sintomas; na remissão, buscamos manter a nutrição, diversificar a microbiota e prevenir novas crises", explica o Dr. Sérgio Teixeira, diretor médico da Ferring no Brasil.
Embora cada pessoa reaja de forma diferente, alguns alimentos costumam causar desconforto nos pacientes com doença de Crohn ou retocolite ulcerativa. E de acordo com a Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD), certos grupos de alimentos devem ser consumidos com cautela:
“A alimentação tem papel direto na qualidade de vida de quem convive com doenças inflamatórias intestinais. Escolhas alimentares conscientes, orientadas por profissionais de saúde, ajudam a controlar a doença e a manter o bem-estar a longo prazo”, finaliza Teixeira.