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    porto velho, terça-feira 14 de abril de 2026

Dia do Beijo: o que ocorre no cérebro durante o gesto

À CNN, neurocientista afirma que contato entre lábios pode desencadear reações químicas e neurais -- que influenciam humor, vínculo e até percepção do parceiro...


CNN BRASIL

Publicada em: 13/04/2026 18:32:42 - Atualizado

Foto: Divulgação

O beijo, gesto de carinho comum em relações afetivas, pode ir muito além do contato físico. Segundo o neurocientista Fernando Gomes, o ato de beijar pode desencadear reações químicas e neurais -- que influenciam humor, vínculo e até percepção do parceiro -- em um verdadeiro "combo" neurológico que ajuda a explicar por que o ato pode se tornar tão marcante.

De acordo com o especialista, regiões como o córtex somatossensorial (região no cérebro responsável por processar informações sensoriais) e o córtex motor (região responsável pelo planejamento, controle e execução de movimentos voluntários) entram em ação assim que os lábios se tocam, processando as sensações e os movimentos.

Ao mesmo tempo, estruturas do sistema límbico -- responsáveis por regular emoções -- como a amígdala e o hipocampo, são responsáveis por atribuir significado emocional e conectar o momento a memórias afetivas.

Mas é no chamado “circuito de recompensa” que o beijo mostra sua força. Áreas como o córtex orbitofrontal e o núcleo accumbens -- sistemas cruciais para processamento de recompensas -- são ativadas, gerando sensação de prazer e motivação. “A combinação entre estímulos sensoriais intensos e a carga emocional do momento amplifica a resposta cerebral”, explica Gomes.

Coquetel químico do bem-estar

Além da ativação neural, o beijo desencadeia a liberação de substâncias químicas importantes. A dopamina, ligada ao prazer e à motivação, aumenta a sensação de recompensa. Já a ocitocina, conhecida como “hormônio do vínculo”, reforça sentimentos de confiança e conexão.

Endorfinas também são liberadas, promovendo bem-estar e até um leve efeito analgésico. Em alguns casos, há ainda redução do cortisol, hormônio associado ao estresse, o que contribui para relaxamento. “Esse conjunto de reações pode melhorar o humor e favorecer o equilíbrio emocional”, afirma o neurocientista.

Paixão é valorizada

Nem todo beijo é igual -- e o cérebro reconhece isso. Segundo o especialista, beijos com envolvimento emocional tendem a ativar mais intensamente áreas relacionadas ao apego, como o córtex pré-frontal e o sistema límbico. Nesses casos, a liberação de ocitocina é maior, fortalecendo vínculos afetivos.

Já beijos casuais, embora também ativem o sistema de recompensa, costumam ter menor integração com memórias emocionais profundas. “Há uma diferença no engajamento das redes neurais, especialmente aquelas ligadas ao apego”, destaca Gomes.

O cérebro também pode usar o beijo como uma espécie de "teste de compatibilidade". Durante o contato, ele integra informações sensoriais como cheiro, gosto e textura, além da resposta do parceiro. Há indícios de que até sinais químicos sutis, possivelmente relacionados ao sistema imunológico, influenciem essa avaliação.

Regiões como a ínsula (fundamental para a consciência emocional) e o córtex orbitofrontal (regulação emocional) ajudam a determinar se a experiência é agradável ou não, impactando decisões subconscientes sobre atração e afinidade.

Tal enxurrada de informações pode alterar rapidamente a forma como enxergamos a outra pessoa. Quando o beijo ativa positivamente o sistema de recompensa e gera conforto emocional, a tendência é que a percepção do parceiro se torne mais favorável. Caso contrário, pode haver uma reavaliação negativa.

Além disso, beijar pode fortalecer relações ao longo do tempo. A repetição de experiências prazerosas ajuda a consolidar circuitos neurais ligados ao prazer e à conexão emocional. "O beijo funciona como um comportamento de proximidade que sinaliza confiança, intimidade e reciprocidade, fortalecendo relações ao longo do tempo", ressalta o neurocientista.

Benefícios para a saúde mental

Para além do romance e dos vínculos afetivos, o beijo também pode trazer efeitos positivos para a saúde mental. A combinação de dopamina, endorfinas e ocitocina contribui para melhora do humor, enquanto a redução do cortisol pode ajudar a aliviar o estresse e a ansiedade.

Apesar disso, Gomes ressalta que o beijo não substitui tratamentos clínicos quando necessários. Ainda assim, pode ser um aliado natural na regulação emocional e na promoção de bem-estar.


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