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    porto velho, sábado 24 de fevereiro de 2024

Mulher morta pelo marido policial Thiago Cesar registrou boletim por ameaça em outubro deste ano

Ocorrência foi aberta na mesma delegacia que agora investiga o assassinato


CNN

Publicada em: 05/12/2023 09:56:34 - Atualizado

BRASIL: Vítima de feminicídio cometido pelo marido no último domingo (3), Erika Satelis Ferreira de Lima, 33, havia registrado um boletim de ocorrência por ameaça contra o policial militar Thiago Cesar de Lima, 36, em outubro deste ano.

Segundo o relato dela na época, os dois brigaram e Thiago a ameaçou com uma arma. O caso foi registrado na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), a mesma que agora investiga a morte de Erika.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), na ocasião a vítima optou por não representar criminalmente contra o soldado e também não pediu medidas protetivas.

Erika foi morta a tiros pelo policial na madrugada de domingo, na zona norte de São Paulo. O casal estava dentro de um carro quando começou uma discussão. Durante a briga, o PM desferiu socos e depois tiros contra a mulher.

A vítima chegou a ser socorrida pelo próprio policial, mas não resistiu aos ferimentos. A arma do crime, uma pistola calibre .40, foi apreendida e o soldado foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes. A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva dele nesta segunda-feira (4).

A Ouvidoria da Polícia de São Paulo afirmou que abriu procedimento para acompanhar o caso e que, após os trâmites legais, vai sugerir a expulsão do soldado Thiago Cesar de Lima das fileiras da Polícia Militar.

“Não se pode tolerar desvios dessa ordem, principalmente quando as vítimas são grupos vulneráveis e historicamente sacrificados e o algoz, aquele formado e instruído para valorizar e garantir a vida”, afirmou o Ouvidor, professor Claudio Silva.

Nota da Ouvidoria na íntegra:

“A Ouvidoria da Polícia de São Paulo recebeu informações sobre um ato de feminicídio, acompanhado de vídeos, em que o autor seria um Policial Militar. Um ato que, por sua simples natureza, nos deixa estarrecidos e indignados enquanto sociedade e, como entes públicos, extremamente preocupados. A ação, que demonstra um perceptível adoecimento por parte de um agente público que deveria proteger sua família e a sociedade, nos impele à uma posição firme e decisiva. Temos problematizado com a Secretaria de Segurança Pública a questão do adoecimento da tropa, especialmente o adoecimento mental e suas consequências nefastas no cotidiano da atuação policial. Vamos abrir procedimento para acompanhar o caso, pedir informações sobre a ocorrência para Polícia Civil, solicitar os laudos necroscópico, balístico, de local e residuográfico para a polícia científica e acionar a Corregedoria da Polícia Militar para, no caso de o autor ser um policial militar, sugerir a expulsão deste das fileiras da corporação. Não se pode tolerar desvios dessa ordem, principalmente quando as vítimas são grupos vulneráveis e historicamente sacrificados e o algoz, aquele formado e instruído para valorizar e garantir a vida.”




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