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porto velho, sábado 11 de abril de 2026

A troca de ataques entre o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e Nikolas Ferreira (PL) deixou de ser um ruído pontual para virar um problema político de grandes proporções. O episódio escancara desorganização, falta de comando e coloca em xeque a viabilidade da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
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Enquanto o grupo deveria estar alinhando estratégia, gasta energia em disputa interna, um erro primário para quem pretende disputar o comando do país.
Nos bastidores, o diagnóstico é duro: a postura de Eduardo é vista como irresponsável e com potencial de implodir alianças essenciais. Em vez de ampliar apoios, o deputado cria atritos justamente com quem pode garantir votos decisivos.
É o típico caso de fogo amigo: aquele que não só enfraquece, mas pode ser fatal para qualquer projeto político minimamente estruturado.
O conflito ganha contornos ainda mais graves em Minas Gerais, onde Nikolas Ferreira é peça central. Sem o engajamento real do deputado, a campanha perde força em um dos estados mais estratégicos do país.
A leitura interna é simples e preocupante: sem Minas, não há caminho claro para a vitória. E transformar um aliado forte em apoio morno é um erro que pode custar caro.
A tentativa de Flávio Bolsonaro de se vender como alternativa mais moderada beira a incoerência. Enquanto tenta dialogar com o centro, é puxado para o extremo por crises criadas dentro da própria família.
O resultado é um discurso que não se sustenta: nem convence o eleitor moderado, nem resolve os conflitos internos.
Diante do desgaste, o comando do PL, sob Valdemar Costa Neto, tenta apagar o incêndio. Mas a sensação é de que a crise já saiu do controle e virou um problema público difícil de contornar.
Mediações, viagens e conversas de bastidor mostram mais reação do que estratégia — um movimento típico de quem tenta conter danos já instalados.
No cenário mineiro, a presença de Cleitinho adiciona ainda mais pressão. Sem unidade, a direita corre o risco de se fragmentar, dividir votos e entregar espaço para adversários.
No fim, o que se vê é um grupo que, antes mesmo da eleição começar de fato, já enfrenta um problema básico: não consegue se entender internamente.