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porto velho, domingo 16 de agosto de 2026

Belo Horizonte – A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga a morte de Nayara Oliveira Silva, de 26 anos, e da filha que ela esperava, durante um atendimento na madrugada desta quarta-feira (12/8), em um hospital de Patrocínio, no Triângulo Mineiro. Grávida de oito meses, a jovem procurou a unidade após se sentir mal e morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória.
A família questiona o atendimento recebido na Santa Casa de Patrocínio e levanta a possibilidade de negligência. A Polícia Civil, porém, ainda não aponta responsáveis e informou que apura se houve eventual erro médico. A médica de plantão teria realizado um parto e ficado indisponível para atender a outra paciente durante aquela madrugada.
O corpo de Nayara foi encaminhado ao Instituo Médico-Legal, onde foi coletado material biológico para análise. O material será enviado a Belo Horizonte para a elaboração do laudo de necropsia, que deverá auxiliar na identificação da causa da morte da gestante.
A documentação médica da paciente também foi requisitada pela Polícia Civil. Além disso, investigadores da Delegacia de Homicídios estiveram na unidade hospitalar e recolheram imagens do circuito interno de segurança, que estão sendo analisadas.

Segundo o companheiro de Nayara em depoimento à Polícia, ela procurou atendimento médico no domingo (9), após apresentar mal-estar, febre, dor de cabeça e dor de garganta. Ela teria recebido medicação e soro e foi liberada com solicitações de exames para dengue e H1N1, que apresentaram resultados negativos.
Na terça-feira (11), a jovem voltou à Santa Casa após apresentar piora. Conforme o relato da família, exames apontaram uma queda significativa na quantidade de plaquetas, o que levou os médicos a recomendarem a internação.
Ainda de acordo com o companheiro, Nayara pediu autorização para voltar para casa e buscar roupas, já que não havia levado pertences para permanecer no hospital. Ela teria retornado aproximadamente uma hora e meia depois e foi internada.
A família afirma que, durante a madrugada, a gestante passou a sentir fortes dores e relatou que não estava sentindo os movimentos da filha normalmente. Os parentes também dizem ter percebido uma alteração na coloração do abdômen da jovem.
Segundo os familiares, enfermeiras foram procuradas diante da piora do quadro, mas a médica plantonista não estaria disponível naquele momento.
Pouco depois, Nayara teria começado a gritar de dor. Por volta das 5h, apresentou vômitos, sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu. A filha também não sobreviveu.
Em depoimento à Polícia Civil, a Santa Casa apresentou uma versão diferente da relatada pelos familiares.
Segundo a unidade, Nayara retornou ao hospital na terça-feira, às 18h, ainda apresentando sintomas. A internação teria sido recomendada, mas a paciente pediu para ir para casa e recebeu orientação para retornar.
Conforme o hospital, ela só voltou às 20h43, acompanhada da mãe e relatando piora no estado de saúde. Depois disso, foi internada e submetida a diversos exames.
Entre os procedimentos realizados, houve uma cardiotocografia, por volta das 22h, que teria indicado batimentos cardíacos normais do bebê naquele momento.
A Santa Casa também informou à polícia que, durante parte da madrugada, a paciente aparentava estar bem e teria manifestado interesse em deixar o hospital. A mãe teria chegado a solicitar documentos para uma possível alta.
Por volta das 4h30, no entanto, Nayara teria apresentado uma forte dor abdominal e caído no chão. Ela foi colocada em uma cadeira de rodas e levada novamente ao quarto.
De acordo com o relato da instituição, a médica responsável pelo plantão estava naquele momento realizando um parto de emergência e, por isso, não poderia atender imediatamente a paciente.
Cerca de meia hora depois, Nayara começou a vomitar e sofreu uma parada cardiorrespiratória. A equipe realizou procedimentos de reanimação por aproximadamente uma hora, mas a jovem não resistiu.
A Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento e que familiares, testemunhas, médicos e enfermeiros responsáveis pelo atendimento serão ouvidos.
O objetivo é esclarecer as circunstâncias que levaram à morte da gestante e da bebê e verificar se houve eventual falha ou erro médico.
A causa oficial das mortes ainda depende dos exames periciais e da análise da documentação médica.
A Prefeitura de Patrocínio divulgou uma nota lamentando profundamente a morte de Nayara e da filha e afirmou que está buscando esclarecimentos junto à Santa Casa.
O município informou que a Secretaria Municipal de Saúde acompanha a apuração e presta o suporte necessário dentro de suas atribuições.
A Prefeitura também ressaltou que a Santa Casa é uma instituição filantrópica com gestão própria e independente do município. Embora exista uma parceria por meio de repasses mensais destinados à prestação de serviços de saúde, a administração municipal afirmou que a gestão do hospital e a organização dos atendimentos são de responsabilidade da própria instituição.
Em nota, a Prefeitura reforçou ainda o compromisso com a transparência e manifestou solidariedade aos familiares e amigos.