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    porto velho, quarta-feira 9 de setembro de 2026

Ministro André Mendonça afasta chefe da Polícia Federal citado em mensagens de Vorcaro

Ministro reage após pedir para investigar Alexandre de Moraes e ser questionado por que também se aproximou de Daniel Vorcaro


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Publicada em: 08/09/2026 09:53:36 - Atualizado

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, acaba de ordenar o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. A decisão alcança também o delegado Leandro Almada, responsável pela inteligência da PF.

A ordem ocorre no auge de uma guerra de decisões e produção de dossiês que afetam meio mundo – inclusive Mendonça. E, claro, tem potencial de impacto direto nas eleições.

Mendonça atropela uma atribuição do governo federal, já que o organograma da PF é responsabilidade do ministro da Justiça, de quem mal se ouve falar no auge da crise.

Herdeiro da relatoria do caso Master do Supremo, Mendonça soltou ao mundo as conversas do celular de Daniel Vorcaro que implicava diretamente o colega Alexandre de Moraes na história.

As mensagens revelaram que Xandão não só era casado com uma advogada contratada pelo banqueiro como editou o contrato entre a esposa e o investigado, de quem se aproximou, se encontrou, aceitou carona e crédito camarada para os filhos, e foi acionado no momento em que o cerco se fechou.

Em vez de responder, Moraes deu o troco e expôs Mendonça, que também se aproximou demais de Vorcaro e tinha como pés de barro um instituto com contratos estranhos com grupos privados, alguns com ligações com setores políticos.

Mendonça, um aliado dos Bolsonaro, queria investigar Moraes, e Moraes, um inimigo da família, queria investigar Mendonça.

Deu-se ali uma cena de filme de Quentin Tarantino, em que todo mundo aponta as armas para todo mundo e o mundo explode na menor fagulha.

Em vez de recuo, o que se produziu foi justamente o que se temia: tiroteio. Mendonça quer agora tirar de cena os responsáveis, segundo ele, por produzir relatórios apócrifos que o implicavam no caso que deveria julgar com distanciamento.

Na decisão, ele fala sobre uma suposta “inteligência paralela” da PF. E justifica a canetada sob o argumento de que pretende evitar "constrangimentos ilegais" e interferências indevidas.

Faz isso interferindo num Poder da República, o Executivo, e também nas eleições. Numa tacada só, ele tira de campo o responsável pela prisão de Vorcaro, o pivô da crise toda e que arrastou com ele Flávio Bolsonaro (PL) e outros aliados da extrema-direita – além, é claro, de Moraes, a quem os adversários tentam jogar no colo de Lula (PT) como se não tivessem, eles também, se sujado com as benfeitorias (risos) de Vorcaro na produção do cinema nacional e outras coisinhas más.

Tudo isso enquanto uma peça-chave da história toda fecha acordo de delação com a Procuradoria Geral da República para contar detalhes dos envios de dinheiro para o exterior para bancar o filme “Dark Horse”. O personagem é Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Dono do grupo Entre, ele alimentou offshores de Vorcaro no exterior, e movimentou algo em torno de US$ 1 bilhão. Um dos beneficiários era a Havengate, fundo administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Mendonça tenta retomar o poder que o inquérito do Master lhe conferiu: o de divulgar informações conforme o interesse de um lado da história. Sem risco de contra-ataque. Por isso, determinou a "suspensão imediata" de produção, elaboração ou compartilhamento de qualquer relatório de inteligência da PF sobre o caso, que agora está nas mãos do presidente da Corte, Edson Fachin.

É Fachin quem vai determinar se o Supremo é hoje uma extensão de interesses eleitoreiros ou uma instituição capaz ainda de zelar pela Constituição.


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