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    porto velho, quarta-feira 28 de outubro de 2026

PL recalcula rota de olho em disputa à presidência do Senado e Câmara em 2027

Partido, comandado por Valdemar Costa Neto, reuniu senadores para definir prioridades e estratégias


uol

Publicada em: 28/10/2026 10:17:29 - Atualizado


Com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fora do país, em meio à crise envolvendo a entrega de passaportes à Polícia Federal, o PL começa a reorganizar sua estratégia política de olho nas disputas pelo comando da Câmara dos Deputados e do Senado. Derrotado na eleição presidencial deste ano, o senador deixa a legenda diante do desafio de organizar sua atuação no Congresso, onde terá a maior bancada do Senado e uma das maiores forças da Câmara.

O PL elegeu 121 deputados federais, cerca de um quarto das cadeiras da Câmara, e terá 29 senadores na próxima legislatura. A força numérica, porém, não garante ao partido o controle das duas Casas, cuja presidência depende da construção de alianças com outras legendas.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reuniu integrantes da legenda no Senado na tarde de terça-feira, 27, na sede do partido, em Brasília. O encontro ocorreu em meio à repercussão das informações de que Flávio teria deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos e à preocupação de aliados com os possíveis desdobramentos políticos e jurídicos do caso.

Enquanto o cenário envolvendo o senador permanece indefinido, a cúpula do partido deve intensificar as conversas com a bancada para estabelecer as diretrizes de atuação no Congresso. Segundo um deputado da sigla, Valdemar e as lideranças da Câmara e do Senado deverão reunir parlamentares reeleitos e os novos congressistas para discutir a organização política do partido.

“Eu acredito que o presidente Valdemar e os nossos líderes, seja daqui da Câmara, do Senado, devem se reunir com todos parlamentares que fomos reeleitos e com os novos parlamentares, os futuros parlamentares, já para tratar do futuro, das nossas ações, como vai ser”, afirmou.

O parlamentar ressaltou que o PL pretende manter o alinhamento com a direita e o campo conservador, mas reconheceu que a condução política da legenda e a atuação de seus representantes ainda deverão ser discutidas com a direção nacional. “O PL continua firme, forte com a direita, com os conservadores. Eu acredito que esse é o caminho”, declarou.

O comando das duas Casas é estratégico para a oposição, por influenciar a definição da agenda legislativa, a condução de votações e a relação do Congresso com o governo federal. Apesar de ter a maior bancada nas duas Casas em termos de representação partidária no Senado e de presença expressiva na Câmara, o PL precisará negociar com outras siglas para viabilizar candidaturas.

Na Câmara, o atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve contar novamente com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do partido do governo para tentar a recondução ao cargo. Motta reuniu um bloco de partidos que soma 273 deputados, com apoio de União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania, Podemos, PSB, PDT e PV. A articulação amplia sua base de sustentação para a disputa e dificulta a construção de uma candidatura alternativa sem um acordo entre as demais forças políticas.

Apesar da importância da eleição, o deputado do PL afirmou que a legenda ainda não discutiu formalmente possíveis candidaturas. “Não tratamos disso ainda”, disse, ao ser questionado sobre a possibilidade de o partido lançar nomes para presidir uma das Casas.

O parlamentar acrescentou que já conversou com o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, mas que a escolha dos candidatos ainda não foi debatida. Segundo ele, Valdemar também chamou os senadores da legenda para uma conversa, movimento que deverá ser seguido por uma reunião com os deputados federais.

No Senado, a disputa é considerada mais delicada para o governo. O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), apoiou Lula durante a campanha, mas não deverá contar com o apoio da bancada do PL. Para vencer a eleição, um candidato precisa obter ao menos 41 votos entre os 81 senadores.

O senador do PL calcula que a direita poderá reunir 48 integrantes na próxima composição do Senado, número que, segundo sua avaliação, seria suficiente para eleger um presidente alinhado ao campo conservador.


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