Fundado em 11/10/2001
porto velho, sexta-feira 2 de janeiro de 2026

PORTO VELHO - RO - A relação política entre o governador Marcos Rocha e o vice-governador Sérgio Gonçalves, ambos do União Brasil, em pleno fim de ano, entrou em uma nova fase de tensionamento, marcada pela exoneração de indicados ligados ao vice no primeiro escalão e em cargos comissionados do Governo do Estado. O movimento sinaliza que o conflito interno está longe de um desfecho e aponta para um rompimento sem perspectiva de recomposição.
Ao determinar a saída de uma parcela significativa de afilhados políticos de Sérgio Gonçalves da estrutura administrativa, Marcos Rocha deixou evidente a inexistência de ambiente para diálogo ou entendimento. A decisão produz dois efeitos imediatos no cenário político estadual: reforça a tese de que o governador não pretende se afastar do cargo para disputar uma vaga no Senado e confirma o encerramento de qualquer tentativa de aproximação com seu vice, hoje tratado como adversário político.
Antes do agravamento da crise, ainda houve movimentos discretos em busca de uma solução, ainda que remota. Um deles envolveu a tentativa de Marcos Rocha de assumir o comando estadual do União Brasil. No entanto, o partido é presidido em Rondônia por Júnior Gonçalves, ex-chefe da Casa Civil e irmão de Sérgio Gonçalves, eleito para a função até 2027. A permanência de Júnior no controle da legenda encerrou essa possibilidade e agravou a relação das duas autoridades.
A partir desse episódio, o governador iniciou um processo de reestruturação administrativa, que resultou na exoneração inicial de cerca de 40 ocupantes de cargos comissionados ligados ao grupo de Sérgio Gonçalves. A expectativa no meio político é de que novas dispensas ocorram nos próximos dias, ampliando o afastamento entre os dois grupos.
No núcleo mais próximo do Palácio Rio Madeira, a avaliação é de que a transferência do comando do Executivo ao vice representaria um risco político elevado. Caso se afastasse do cargo, Marcos Rocha deixaria a estrutura de poder integralmente sob a condução de Sérgio Gonçalves, cenário considerado sensível diante do atual grau de ruptura entre ambos. Nesse contexto, a confiança necessária para uma transição institucional não estaria assegurada.
O impasse também produz reflexos no campo eleitoral. Setores do grupo governista que trabalhavam com a possibilidade de uma candidatura de Marcos Rocha ao Senado e da primeira-dama Luana Rocha à Câmara Federal e do irmão Sandro Rocha ao cargo de deputado estadual, passaram a rever projeções. O acirramento da disputa interna reduziu, ao menos neste momento, o espaço para que esses planos avancem visando o pleito de 2026.
Diante desse quadro, a prioridade do atual governo passa a ser a conclusão das obras em andamento e a execução dos projetos sociais previstos até o fim do mandato, com o objetivo de encerrar a gestão com índices elevados de aprovação. A estratégia indicaria uma aposta em preservar capital político para futuras disputas, em ciclos eleitorais posteriores.
O cenário permanece em aberto, mas os movimentos recentes deixam claro que a disputa entre governador e vice não apenas ganhou um novo capítulo, como também aponta para um desfecho prolongado, sem sinais de reconciliação no curto prazo.
Mas como em política tudo é possível, ainda tem muita água para rolar por debaixo da ponte.