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porto velho, quinta-feira 15 de janeiro de 2026

PORTO VELHO - RO - A filiação do ex-deputado federal Expedito Netto ao Partido dos Trabalhadores, oficializada nesta quarta-feira (14), em Porto Velho, não foi apenas um movimento partidário. Representou um rompimento político dentro da própria família e lançou tensão sobre um projeto que vinha sendo cuidadosamente articulado nos bastidores da sucessão estadual.
Até pouco tempo dirigente do PSD e atual secretário nacional da Pesca, Expedito Netto decidiu atravessar o campo ideológico e se lançar pré-candidato ao governo de Rondônia pelo PT, contrariando frontalmente o pai, o ex-senador Expedito Júnior. O gesto implodiu o alinhamento familiar e expôs um racha que agora se reflete também no eleitorado.
Expedito Júnior atua diretamente na construção da candidatura do prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, ao Palácio Rio Madeira. O projeto, segundo aliados, já estava consolidado e contava com o apoio unificado da família. A decisão de Netto, no entanto, desorganizou esse desenho político e abriu uma disputa silenciosa por votos que antes caminhavam no mesmo sentido.
Nos bastidores, a reação foi de frustração. A leitura é de que o ex-deputado escolheu um caminho solitário, desafiando não apenas o pai, mas também a estratégia política que vinha sendo defendida dentro do PSD e no campo mais conservador do Estado.
Do lado petista, Expedito Netto foi recebido como uma aposta de sobrevivência política. O PT, que perdeu protagonismo em Rondônia nos últimos ciclos eleitorais e hoje conta com representação mínima, enxerga no ex-deputado uma tentativa de recolocar a legenda no centro do debate estadual. A avaliação interna é de que sua candidatura pode funcionar como palanque para o presidente Lula em um Estado onde a rejeição ao petismo segue elevada.
Após o ato de filiação, o PT reuniu os partidos da Federação Brasil da Esperança — PV e PCdoB — e chancelou a pré-candidatura de Netto ao governo. A estratégia prevê uma caravana pelo interior, mas, até agora, os resultados têm sido discretos. Encontros recentes, como o realizado em Vilhena, registraram baixa adesão e evidenciaram as dificuldades da esquerda em ampliar seu raio de influência.
Mesmo assim, a direção estadual do PT tenta vender o movimento como um ponto de inflexão. Para o presidente da sigla em Rondônia, Ernesto Ferreira, a chegada de Expedito Netto “fortalece não apenas o PT, mas todo o campo progressista, que estará unido em defesa da reeleição do presidente Lula”.
No tabuleiro político de Rondônia, o lance de Expedito Netto embaralhou alianças, rachou a própria família e acrescentou um novo elemento de tensão à corrida pelo governo. Resta saber se o movimento será lembrado como ousadia estratégica ou como isolamento precoce em um Estado de terreno hostil à esquerda.
