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porto velho, sexta-feira 8 de maio de 2026

PORTO VELHO - RO - O que deveria ser uma audiência pública para unificar forças contra o peso do pedágio na BR-364 terminou transformado em uma vitrine da desarticulação política da bancada de Rondônia no Senado. O encontro realizado no auditório da OAB-RO mostrou que, nem mesmo diante da revolta popular e do impacto econômico causado pela concessão da rodovia, os representantes do estado conseguem falar a mesma língua.
De um lado, o senador Marcos Rogério-PL adotou um discurso moderado e conflitante com o interesse da população, e diz se contentar apenas com a revisão das tarifas já em vigor nas praças de pedágio. E ainda constatou o óbvio: os valores atuais já pressionam o custo do frete, elevam o preço dos alimentos e atingem diretamente o comércio e os consumidores rondonienses.

Do outro lado, o senador Jaime Bagattoli-PL jogou gasolina no debate ao defender a suspensão completa da concessão. Sem rodeios, afirmou que o contrato firmado para a BR-364 representa um ataque ao setor produtivo e poderá travar o desenvolvimento industrial do estado.
A divergência pública escancarou um problema ainda maior: a ausência de estratégia da própria bancada federal desde o nascimento da concessão. Quando o projeto passou pelos corredores de Brasília, com regras, tarifas e condições sendo definidas, pouco se viu de enfrentamento efetivo. O silêncio predominou justamente no momento em que Rondônia precisava de reação política firme.
Agora, com a insatisfação popular crescendo e os impactos econômicos começando a sufocar produtores, transportadores e consumidores, surgem discursos tardios e desconectados. Um senador tenta remendar o modelo. O outro quer implodir o contrato inteiro. O resultado é uma bancada que transmite mais confusão e fraqueza do que liderança.
A audiência acabou expondo um retrato desconfortável da política rondoniense: autoridades correndo atrás do prejuízo depois da concessão consolidada, enquanto a população observa um verdadeiro duelo de versões sobre uma rodovia que já se tornou sinônimo de custo alto, insegurança e improviso político.
No fim das contas, a BR-364 segue pedagiada, o bolso do cidadão continua sangrando e os senadores ainda parecem discutir qual deveria ter sido a reação correta — só esqueceram que o tempo para evitar o problema ficou para trás. Um festival de trapalhadas que o eleitor deve prometer desforra nas urnas.