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porto velho, sexta-feira 8 de maio de 2026

PORTO VELHO - RO - A morte de uma criança de apenas nove anos, registrada em Rondônia, colocou autoridades sanitárias em estado de atenção após a confirmação de uma infecção extremamente rara e agressiva provocada pela ameba Naegleria fowleri, conhecida mundialmente como “ameba comedora de cérebro”. O caso ocorreu em Machadinho D’Oeste, no interior do estado.
A vítima chegou a ser transferida para o Hospital Regional de Cacoal, mas não resistiu. A confirmação laboratorial da doença veio dias depois do óbito, após exames especializados realizados por órgãos de vigilância em saúde.
A investigação mobilizou equipes da Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa), da Secretaria Municipal de Saúde e do Laboratório Central de Saúde Pública de Rondônia (Lacen). O diagnóstico definitivo foi emitido pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.
Segundo especialistas, a Naegleria fowleri é um micro-organismo encontrado em águas doces aquecidas, como rios, lagoas e açudes. A infecção ocorre quando a água contaminada entra pelo nariz, permitindo que a ameba alcance o cérebro através do nervo olfativo. Não há transmissão por ingestão da água nem entre pessoas.
A doença causada pelo parasita é chamada de Meningoencefalite Amebiana Primária, uma inflamação severa do sistema nervoso central que evolui de forma rápida e altamente letal. Os primeiros sinais costumam incluir febre, dor de cabeça intensa, náuseas e vômitos. Com o avanço da infecção, o quadro neurológico pode se agravar em poucas horas.
Apesar da gravidade do episódio, autoridades de saúde ressaltam que os casos são considerados raríssimos. Ainda assim, a recomendação é de cautela em atividades recreativas em ambientes de água doce, especialmente durante mergulhos.
Entre as orientações preventivas estão evitar que água entre pelas vias nasais em rios e açudes, além do uso exclusivo de água tratada ou fervida em procedimentos de limpeza nasal. A Agevisa também reforçou a necessidade de procurar atendimento médico imediato diante de sintomas neurológicos após contato recente com água não tratada.
O caso gerou forte comoção em Rondônia e reacendeu o debate sobre vigilância sanitária e orientação da população em regiões onde o contato com rios e balneários faz parte da rotina de muitas famílias.