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porto velho, terça-feira 19 de maio de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta terça-feira (19/05) recebeu os jornalistas esportivos João Dalmo e Luiz Carlos Pereira para um amplo debate sobre a crise de identidade da seleção brasileira, o desaparecimento do futebol-arte e as mudanças que transformaram a formação de jogadores no país.
Durante a entrevista, os comentaristas analisaram o atual momento da seleção brasileira e afirmaram que, apesar das críticas acumuladas nos últimos anos, o Brasil ainda mantém respeito e peso histórico no cenário internacional. Para João Dalmo, o futebol mundial passou por um processo de nivelamento técnico, mas a camisa da seleção continua impondo temor aos adversários.

“O futebol mundial nivelou. Está nivelado. Mas eu acho que ainda assusta sim”, afirmou o jornalista.
Luiz Carlos Pereira acompanhou a avaliação e destacou que a convocação de Neymar voltou a gerar repercussão internacional e reacendeu parte da atenção sobre a seleção brasileira. “Ainda assusta e com essa convocação do Neymar também já repercutiu muito internacionalmente. O nome leva também, a legenda”, declarou.
Ao longo da conversa, os convidados também discutiram a dificuldade enfrentada pelo Brasil nas últimas Eliminatórias da Copa do Mundo e os impactos das constantes trocas de treinadores. Segundo Luiz Carlos, a seleção passou por um período de instabilidade dentro de campo, mas apresentou melhora recente após mudanças no comando técnico. “O resultado é super importante. O Brasil andou cambaleando para conseguir a classificação para a Copa do Mundo, mas depois, com as convocações do Marcelotti, a coisa melhorou um pouquinho”, comentou.
O ponto mais aprofundado da entrevista girou em torno do desaparecimento do chamado futebol moleque, marcado por improviso, dribles, criatividade e irreverência, características que historicamente transformaram o futebol brasileiro em referência mundial.
João Dalmo atribuiu essa mudança à transformação precoce do futebol em negócio e ao enfraquecimento das antigas peladas de rua e dos campos improvisados que revelavam talentos naturalmente. “Tudo começa na base. Nós deixamos de fazer o que fazíamos antes, campeão de pelada. Dali nasciam os talentos. Ali começava tudo, porque a irreverência, o drible e a criatividade do garoto apareciam naturalmente. Isso acabou”, lamentou.
Segundo ele, a pressão financeira e o foco no lucro mudaram completamente a forma como crianças enxergam o esporte. “A partir do momento em que o futebol deixou de ser brincadeira para virar algo sério e totalmente voltado ao lucro, o garoto hoje, com cinco ou seis anos, já é ensinado a pensar que vai jogar futebol para mudar a vida da família”, ressaltou.
Na mesma linha, Luiz Carlos Pereira afirmou que o futebol europeu absorveu grande parte das qualidades técnicas que fizeram o Brasil se destacar no passado, enquanto o próprio futebol brasileiro passou a priorizar características físicas em vez da habilidade individual.

“O europeu pegou muita coisa boa do Brasil. Hoje, se o jogador for pequenininho e habilidoso, ele praticamente não tem vez. A prioridade virou jogador alto, forte, de imposição física”, criticou.
Durante o programa, Arimar Souza de Sá também questionou os entrevistados sobre a perda da identidade da seleção brasileira dentro de campo e sobre o impacto da troca frequente de treinadores na construção de um projeto sólido para a equipe nacional. O debate ainda abordou a relação entre resultados imediatos, pressão da torcida, influência do mercado europeu e a transformação do futebol moderno em um produto cada vez mais comercial.
A entrevista repercutiu entre ouvintes e torcedores justamente em um momento em que o Brasil vive expectativa para a Copa do Mundo de 2026, cercado de dúvidas sobre desempenho, identidade tática e capacidade de voltar a apresentar o futebol criativo que marcou gerações e consolidou a seleção brasileira como uma das maiores potências da história do esporte.
ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA AQUI: