Fundado em 11/10/2001
porto velho, quinta-feira 28 de maio de 2026

PORTO VELHO - RO - A décima terceira edição da Rondônia Rural Show voltou a provar que, em ano pré-eleitoral, o agronegócio divide espaço com outra grande vitrine em funcionamento: a da política. Entre tratores milionários, estandes lotados e anúncios bilionários de negócios, os corredores da feira foram tomados por uma intensa movimentação de pré-candidatos em busca de visibilidade, fotos e espaço no imaginário do eleitor.
O curioso é que muitos dos mesmos políticos que passam o ano trocando críticas, farpas e discursos inflamados reaparecem agora em clima quase diplomático. Entre um café e outro nos estandes, adversários dividem abraços cuidadosamente calculados, apertos de mão cinematográficos e selfies estrategicamente espontâneas. Há quem endureça o discurso pela manhã, critique o adversário na entrevista do almoço e, poucas horas depois, reapareça sorrindo ao lado dele diante de produtores e empresários. Na Rondônia Rural Show, pelo menos enquanto as câmeras estão ligadas, a rivalidade costuma entrar em trégua.
Os principais nomes da corrida ao Governo de Rondônia circularam pelo parque de exposições em Ji-Paraná em agendas quase cirúrgicas. Marcos Rogério-PL, Adailton Fúria-PSD e Hildon Chaves-UB evitaram cruzamentos mais diretos, enquanto aliados monitoravam discretamente cada movimentação, o tamanho das comitivas e até o tempo de permanência em determinados estandes.
Chamou atenção, porém, a ausência quase completa dos nomes ligados à esquerda rondoniense. Expedito Netto e Samuel Costa simplesmente não apareceram no ambiente político da feira, hoje considerado obrigatório para quem pretende disputar cargos majoritários no Estado.
Em Rondônia, onde o eleitorado mantém perfil majoritariamente conservador e fortemente identificado com pautas bolsonaristas, as pré-candidaturas apoiadas apenas pelos segmentos da esquerda parecem ter perdido espaço, fôlego e até presença no debate público. Fora dos corredores da Rural Show e praticamente ausentes da agenda política estadual, ambos atravessam um momento de baixa visibilidade.
A disputa pelo Senado também ganhou ritmo dentro da feira. Fernando Máximo, Amir Lando, Mariana Carvalho, Sílvia Cristina, Bruno Scheid e Luís Fernando percorreram os corredores em verdadeira agenda de campanha antecipada. O objetivo era claro: ser visto, fotografado e lembrado num evento que concentra prefeitos, vereadores, empresários, produtores rurais e milhares de eleitores de todas as regiões do Estado.
Uma das figuras ilustres que despertou atenção nos corredores da Rondônia Rural Show foi a do ex-senador e ex-ministro Amir Lando. Com longa trajetória política e ainda cercado de curiosidade por parte do meio político e empresarial, Lando acabou se transformando numa das figuras mais assediadas da feira. Disputado por emissoras de rádio e televisão para entrevistas, o ex-ministro repercutiu em todo o Estado ao circular pelo evento, acumulando cumprimentos, pedidos de fotos e conversas reservadas com lideranças políticas e representantes do agronegócio. Sua presença reacendeu especulações sobre os rumos que poderá tomar nas eleições de 2026.
Enquanto isso, dezenas de candidatos à Câmara Federal e Assembleia Legislativa transformaram a feira numa espécie de passarela eleitoral improvisada. Em muitos trechos do parque de exposições, o aperto de mão virou quase item obrigatório e o sorriso passou a funcionar como parte do uniforme político.
A movimentação reforça como a maior feira agropecuária da Região Norte deixou de ser apenas um evento econômico para se consolidar também como peça estratégica do calendário político de Rondônia. Afinal, em tempos de pré-campanha, desaparecer da Rondônia Rural Show pode significar desaparecer também do radar eleitoral.
A 13ª Rondônia Rural Show segue até domingo, em Ji-Paraná.