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    porto velho, quinta-feira 28 de maio de 2026

"Você ganhava terra e tinha que desmatar", diz professor ao falar da colonização de RO

Conforme explicou, os primeiros modelos incentivavam diretamente o desmatamento como forma de comprovação de ocupação produtiva da terra...


Redação

Publicada em: 28/05/2026 14:15:14 - Atualizado

Foto - Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quinta-feira (28/05) recebeu o professor e historiador Beto Reis, para uma entrevista marcada por reflexões históricas sobre a formação de Rondônia, o processo de colonização da Amazônia e as transformações das políticas agrárias ao longo das décadas.

Durante a conversa, Arimar relembrou nomes considerados fundamentais na construção da política agrária do estado, como o capitão Silvio Farias, apontado como o primeiro coordenador do antigo IBRA Instituto Brasileiro de Reforma Agrária em Rondônia, além de Assis Canuto, um dos primeiros dirigentes já na fase do INCRA. Também foram citados personagens históricos como Amadeu Machado, Amir Lando, Galvão Modesto e Eustaque Godinho, que participaram diretamente do processo de ocupação territorial e implantação dos projetos de colonização na região Norte.

Ao comentar o tema, o professor Beto Reis destacou que Rondônia nasceu economicamente do extrativismo, impulsionado inicialmente pela exploração da borracha e pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. “Rondônia começa como uma região extrativista. Foi a seringa que trouxe a Madeira-Mamoré e permitiu a formação de Porto Velho e Guajará-Mirim”, afirmou.

Foto - Rondonoticias

Segundo ele, até a criação do então Território Federal do Guaporé, em 1943, a ocupação populacional permanecia concentrada basicamente nesses dois municípios. O cenário começou a mudar de forma mais intensa apenas a partir da década de 1970, com a abertura da BR-364 e a implantação dos projetos federais de colonização.

Beto Reis explicou que o governo militar lançou, naquele período, programas voltados à integração da Amazônia ao restante do país, dentro do lema “integrar para não entregar”. A campanha incentivava milhares de famílias a migrarem para Rondônia em busca de terra e oportunidade.

“Existia aquele chamamento: ‘Venha para Rondônia, uma terra sem gente para gente sem terra’. Foi aí que começaram os processos de colonização em larga escala”, relembrou.

O entrevistado também detalhou o funcionamento dos chamados (PICs) Projetos Integrados de Colonização e dos (PADs) Projetos de Assentamento Dirigido. Conforme explicou, os primeiros modelos incentivavam diretamente o desmatamento como forma de comprovação de ocupação produtiva da terra. “O primeiro colono foi colocado dentro da lógica de que a floresta era um inimigo a ser vencido. Você ganhava a terra e precisava desmatar para provar a ocupação”, declarou.

Segundo Beto Reis, o modelo apresentava falhas estruturais, já que muitos assentamentos eram implantados sem infraestrutura básica para os colonos. Posteriormente, os PADs surgiram como tentativa de reorganizar o sistema, oferecendo um planejamento mais estruturado para os assentamentos rurais. “O PIC dava terra, mas não dava infraestrutura. Depois o PAD tentou trazer uma organização melhor, uma nova tecnologia e mais suporte para quem chegava”, explicou.

Durante a entrevista, também foi debatida a mudança de visão ambiental ao longo dos anos. Arimar destacou que, no passado, o desmatamento era praticamente exigido como condição para garantir a posse da terra, realidade completamente diferente da legislação ambiental atual.

O debate trouxe ainda reflexões sobre os impactos econômicos, sociais e ambientais da ocupação de Rondônia, além da importância histórica do INCRA no processo de formação dos municípios e desenvolvimento do estado.

ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA AQUI:


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