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    porto velho, sexta-feira 29 de maio de 2026

Crônica de Fim de Semana - Rondônia Rural Show - A feira onde o Estado exibe a sua própria alma

Passei três dias mergulhado naquele oceano de gente. Caminhei entre estandes na companhia do ex-senador Amir Lando e do professor Crispim Bispo...


Arimar souza de sá

Publicada em: 29/05/2026 15:13:02 - Atualizado

imagem - montagem rondonoticias/ia


CRÔNICA DE FIM DE SEMANA - RONDÔNIA RURAL SHOW - A FEIRA ONDE O ESTADO EXIBE A PRÓPRIA ALMA

*Arimar Souza de Sá

Existem lugares que, de tempos em tempos, parecem concentrar a energia de toda uma região. Em Rondônia, esse fenômeno tem endereço certo. Quando a Rondônia Rural Show abre seus portões, Ji-Paraná deixa de ser apenas uma cidade do centro do Estado para se tornar a capital dos sonhos, dos negócios e das esperanças rondonienses.

Não é apenas uma feira. É um espetáculo humano. Uma procissão de máquinas, cifras, poeira, sotaques e expectativas. É como se Rondônia vestisse sua melhor roupa para mostrar ao Brasil aquilo que aprendeu a produzir depois de décadas abrindo picadas na mata e vencendo a própria adversidade.

Passei três dias mergulhado naquele oceano de gente. Caminhei entre estandes na companhia do ex-senador Amir Lando e do professor Crispim Bispo, pioneiro do município, como quem percorre páginas vivas da história rondoniense. Conversei com produtores, empresários, peões, técnicos, estudantes e homens de mãos calejadas pelo cabo da enxada. Transmiti o programa A Voz do Povo direto de Ji-Paraná e, enquanto os microfones captavam entrevistas e análises, meus olhos enxergavam algo maior: um Estado florescendo diante da própria memória. 

E confesso: há algo de profundamente emocionante nisso tudo. Cada contrato assinado parece conversar em silêncio com homens e mulheres que atravessaram atoleiros, abriram estradas e apostaram a própria vida numa terra que ainda estava sendo desenhada no mapa. Hoje, Rondônia pisa firme. E nada disso nasceu por acaso.

Antes dos drones, das máquinas milionárias e dos contratos bilionários, havia barro, isolamento e coragem. Havia homens abrindo caminhos onde ainda não existiam cidades. Havia também o chamado quase épico de Teixeirão, conclamando brasileiros de todas as partes a ocupar esta terra distante, trabalhar, prosperar e construir uma nova história.

E vieram.

Vieram colonos, pequenos produtores e famílias inteiras espremidas em caminhões pau de arara, ônibus e sonhos. Gente simples que acreditou em Rondônia quando quase ninguém acreditava. Vieram enfrentar lama, malária, calor e abandono, mas também construir patrimônio, criar filhos e arrancar prosperidade deste chão generoso. Décadas depois, a Rondônia Rural Show tornou-se a grande vitrine dessa epopeia amazônica.

Hoje, Rondônia deixou de ser apenas uma fronteira agrícola para se transformar numa potência do agronegócio da Região Norte. O agro virou a locomotiva econômica do Estado, gerando empregos, renda, exportações e movimentando bilhões. E o mais impressionante: esse crescimento não nasceu apenas da força do braço, mas também da tecnologia, da inovação e de um novo perfil de produtor rural — mais conectado, empresarial e atento ao mercado global.

Os municípios que nasceram quase como acampamentos improvisados do INCRA hoje aparecem na feira como vitrines de prosperidade. Regiões antes isoladas transformaram-se em polos produtivos. A velha BR-364, aberta na marra no coração da Amazônia, continua sendo a grande artéria por onde descem caminhões carregados de soja, milho, café, carne e riqueza.

A Rondônia Rural Show revela exatamente isso: Rondônia amadureceu. O agro rondoniense já não fala baixo. Fala grosso. Exporta, disputa mercados internacionais e impressiona investidores de dentro e de fora do país. A feira consolidou-se como a principal vitrine econômica do Estado e como o retrato de uma terra que aprendeu a produzir riqueza sem esquecer suas origens.

Claro, os desafios permanecem. Rodovias precárias, gargalos portuários e custos de transporte continuam pesando sobre quem produz. Mas o campo avança. Avança porque foi construído por gente acostumada a transformar dificuldade em oportunidade e obstáculo em caminho.

Talvez seja exatamente isso que mais emociona. Enquanto caminhava pelos corredores lotados da feira, ouvindo o ronco das máquinas misturado às entrevistas ao vivo do A Voz do Povo, tive a sensação de assistir não apenas a uma exposição de negócios, mas ao encontro entre passado e futuro. Ali estavam a enxada e o drone, o barro e a tecnologia, a memória e a inovação dividindo o mesmo espaço.

A Rondônia Rural Show não exibe apenas máquinas. Exibe uma história de coragem. Uma história escrita por homens e mulheres que chegaram quando havia quase nada e construíram quase tudo.

Por isso, ao final da caminhada, ficou uma certeza: o que se vê em Ji-Paraná não é apenas uma feira agrícola. É a prova de que Rondônia venceu. Venceu a distância, venceu o isolamento, venceu a descrença.

A velha estrela plantada no azul da União já não brilha apenas sobre a floresta. Brilha sobre lavouras, exportações, empresas, empregos e recordes de produção.

Mas a verdadeira riqueza que desfila pelos corredores da Rondônia Rural Show tem outro nome: o povo que transformou uma fronteira esquecida numa potência respeitada.

E quem percorre os corredores do evento, entende por quê.

Que assim seja!

Amém!

*O autor é jornalista, advogado, e apresentador do Programa A VOZ DO POVO da Rádio Caiari, FM, 1031.


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