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porto velho, terça-feira 30 de junho de 2026

PORTO VELHO (RO) – Os indicadores mais recentes da violência no Brasil desenham um retrato contraditório de Rondônia. Enquanto o Estado se mantém distante dos líderes nacionais em homicídios, continua figurando entre as unidades da federação mais perigosas para as mulheres quando o assunto é feminicídio.
No ranking nacional de assassinatos, Rondônia ocupa posição intermediária, com taxa de 16,7 homicídios para cada 100 mil habitantes. O índice coloca o Estado na 14ª posição entre as 27 unidades da federação, em um patamar considerado menos preocupante do que o observado em parte da Região Norte.
O cenário mais crítico nesse indicador é o do Maranhão, que registra 27,5 homicídios por 100 mil habitantes, seguido de perto por outros estados das regiões Norte e Nordeste. Na outra extremidade aparece o Paraná, que atualmente apresenta a menor taxa do país, com 5,8 mortes para cada 100 mil moradores.
Na Amazônia Legal, o destaque negativo é o Amapá, que ocupa a segunda colocação nacional entre os estados mais violentos em número de homicídios, com índice de 25,5 assassinatos por 100 mil habitantes.
Se os dados relacionados aos crimes letais indicam relativa estabilidade para Rondônia, a realidade muda completamente quando a análise se volta à violência de gênero.
O Estado possui atualmente a segunda maior taxa de feminicídios do Brasil, ficando atrás apenas do Acre. Os números de 2025 apontam 2,9 mulheres assassinadas para cada 100 mil habitantes do sexo feminino em território rondoniense, índice superado somente pelos 3,2 registrados pelos acreanos.
Na sequência do ranking aparece o Mato Grosso do Sul, com taxa de 2,7 feminicídios por 100 mil mulheres. Já os menores índices do país foram observados no Amazonas, Ceará e São Paulo.
Especialistas apontam que o feminicídio representa o estágio mais extremo da violência doméstica e familiar, sendo frequentemente antecedido por agressões físicas, ameaças, perseguições, violência psicológica e relações marcadas pelo controle e pela possessividade do agressor.
O problema brasileiro também chama a atenção de organismos internacionais. A Organização Mundial da Saúde coloca o país entre aqueles com os maiores índices de assassinatos de mulheres em razão do gênero, reforçando a dimensão social e estrutural do problema.
Para especialistas em segurança pública, os números revelam que a redução dos homicídios, embora importante, não pode esconder a urgência de políticas voltadas à proteção feminina. O fortalecimento das delegacias especializadas, da rede de acolhimento, das medidas protetivas e das ações preventivas é apontado como fundamental para alterar esse cenário.
Os dados deixam claro que Rondônia avançou em alguns indicadores da violência, mas ainda enfrenta um desafio gigantesco dentro de casa: impedir que mulheres continuem perdendo a vida para companheiros, ex-companheiros e agressores movidos pelo sentimento de posse e pela intolerância.