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    porto velho, terça-feira 30 de junho de 2026

"Hoje quem educa é o algoritmo", afirma escritor ao criticar impacto da tecnologia

Escritor afirma que a inteligência artificial e as redes sociais estão reduzindo a capacidade cognitiva dos jovens, critica o atual modelo educacional e defende uma formação...


Redação

Publicada em: 30/06/2026 15:28:25 - Atualizado

Foto - Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta terça-feira (30) recebeu o escritor, poeta e palestrante Augusto Branco para uma discussão sobre os impactos da inteligência artificial, das redes sociais e dos algoritmos na educação, na literatura e na formação das novas gerações. Durante a entrevista, o autor fez uma série de reflexões sobre o atual modelo de ensino e afirmou que a influência da tecnologia já supera a da família e da escola na formação dos jovens.

Logo no início da conversa, Augusto Branco explicou o papel dos algoritmos nas plataformas digitais e alertou que essas ferramentas passaram a exercer forte influência sobre o comportamento das crianças e adolescentes.

"Hoje, sem dúvida, quem está educando é o algoritmo. Ele é uma fórmula matemática utilizada pelas empresas de tecnologia para identificar os interesses das pessoas e mostrar apenas conteúdos que prendam sua atenção. O problema é que isso está mal educando nossos jovens, porque os direciona para jogos, apostas, entretenimento superficial e conteúdos que não agregam conhecimento nem valores para a vida."

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Segundo o escritor, além da influência sobre o comportamento, o ambiente digital também está modificando a linguagem utilizada pelas novas gerações, alterando o significado de palavras e acelerando mudanças na comunicação.

"A língua portuguesa sempre evoluiu, mas com a internet tudo acontece numa velocidade muito maior. Muitas palavras perderam completamente o sentido original. Isso mostra como a tecnologia vem transformando até a forma como as pessoas se comunicam."

Ao abordar o impacto da tecnologia no desenvolvimento intelectual, Augusto Branco afirmou que estudos já apontam uma redução da capacidade cognitiva das novas gerações quando comparadas às anteriores.

"Essa é a primeira geração que ficou, em média, com um QI inferior ao dos próprios pais. Um dos fatores apontados pelos estudos é justamente o uso excessivo da tecnologia."

Como exemplo, ele citou mudanças adotadas por países considerados referência em educação.

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"A Finlândia já voltou atrás. Eles reduziram o uso de celulares e tablets nas escolas e retomaram os livros físicos porque está comprovado que ler no papel e escrever à mão ativam áreas do cérebro fundamentais para o aprendizado."

O escritor também destacou que a leitura em dispositivos eletrônicos favorece interrupções constantes, comprometendo a concentração dos estudantes.

"No celular, qualquer notificação interrompe a leitura. Você vai olhar uma mensagem e, quando percebe, já abandonou completamente aquela atividade. Isso reduz a capacidade de interpretação e de concentração."

Outro ponto que chamou atenção durante a entrevista foi a crítica ao atual sistema educacional. Para Augusto Branco, a escola foi estruturada prioritariamente para formar profissionais para o mercado de trabalho, e não cidadãos.

"A escola que nós temos hoje não foi criada para formar bons cidadãos. Ela foi organizada para produzir mão de obra. Desde criança a pergunta é: 'o que você vai ser quando crescer?', sempre pensando na profissão. A formação moral, ética e cidadã acaba ficando em segundo plano."

Na avaliação do escritor, esse modelo precisa ser revisto diante das transformações provocadas pela inteligência artificial e pelas novas tecnologias.

"É urgente repensar a escola e todo o modelo educacional. Precisamos recuperar o hábito da leitura, da escrita e da formação de valores, porque tecnologia é ferramenta. Quem precisa continuar formando seres humanos são a família, a escola e a literatura."

Ao longo da entrevista, Augusto Branco ainda defendeu que o avanço tecnológico deve ser acompanhado de uma reflexão profunda sobre os rumos da educação, para que o desenvolvimento digital não aconteça à custa da perda da capacidade crítica, da criatividade e da formação humana das futuras gerações.

ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA AQUI:


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