Fundado em 11/10/2001
porto velho, quarta-feira 29 de julho de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá e conduzido excepcionalmente pelo comunicador e jornalista Ray Lavareda, que substitui temporariamente o titular durante sua viagem, o programa A Voz do Povo desta quarta-feira (29/07) recebeu a professora do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), Sorhaya Chediak, para uma ampla discussão sobre os desafios da educação, a valorização dos profissionais da área, metodologias de ensino, inteligência artificial e os caminhos para a formação de estudantes mais preparados para a sociedade e o mercado de trabalho.
Ao longo da entrevista, a docente destacou que um dos maiores entraves enfrentados atualmente pelas redes de ensino é a falta de investimentos em infraestrutura e a escassa valorização dos professores. Segundo ela, a realidade de muitos profissionais, especialmente nas redes estadual e municipal, compromete diretamente a qualidade da aprendizagem.

"O maior desafio com certeza na educação hoje está na falta de infraestrutura dentro de uma sala de aula, na falta de materiais adequados e também na formação continuada. Além disso, ainda existe a questão do plano de cargos e salários, que afeta diretamente esse professor", afirmou.
Sorhaya ressaltou que a sobrecarga de trabalho impede que muitos educadores tenham tempo suficiente para planejar aulas mais atrativas e eficientes. Para ilustrar a situação, citou casos de docentes responsáveis por dezenas de turmas e centenas de estudantes ao longo da semana.
"A gente não vive só de amor. O professor sai da escola e o trabalho não termina. Tem provas para corrigir, aulas para preparar e finais de semana dedicados ao planejamento. A falta de valorização acaba desestimulando muitos profissionais", disse.
Durante a conversa, a professora também chamou atenção para a redução do interesse pela carreira docente. Segundo ela, cursos de licenciatura vêm registrando queda na procura, reflexo das condições de trabalho e da baixa valorização da profissão.
"Quem quer ser professor hoje? Muitos cursos de licenciatura estão encerrando porque os jovens acabam buscando outras áreas. Antigamente havia orgulho em seguir essa profissão; hoje, infelizmente, essa realidade mudou", observou.
Outro ponto abordado foi o papel da família na formação dos estudantes. Para Sorhaya, a escola vem assumindo responsabilidades que deveriam ser compartilhadas com os pais, o que amplia os desafios enfrentados pelos educadores.
"Hoje a escola está muito vulnerável porque deixou de apenas ensinar e passou a receber responsabilidades que são da família. Muitas vezes, os estudantes chegam sem princípios básicos de convivência e educação, e toda essa responsabilidade acaba sendo transferida para a escola", pontuou.

Ao comentar sobre metodologias ativas de aprendizagem, a professora explicou que o objetivo não é reduzir o papel do docente, mas transformar o aluno em participante efetivo do processo educacional.
"A metodologia ativa não significa que o professor perde a importância. Pelo contrário. Ela utiliza estratégias que tornam o estudante protagonista da aprendizagem, mas sempre com intencionalidade pedagógica e com o professor conduzindo esse processo", explicou.
A entrevista também abordou o avanço da inteligência artificial no ambiente escolar. Para Sorhaya, a tecnologia deve ser incorporada ao ensino, desde que seja utilizada com senso crítico e acompanhada pelo conhecimento humano.
"Não é para demonizar nem para endeusar a inteligência artificial. Ela está aí para ser usada, mas quem não possui conhecimento suficiente pode acabar sendo levado ao erro. O conhecimento continua sendo humano", destacou.
Na avaliação da professora, o papel do educador tornou-se ainda mais relevante diante do grande volume de informações disponíveis na internet. "Hoje existe muita informação e pouco conhecimento. O professor passa a exercer também a função de curador dessas informações, ajudando o aluno a desenvolver pensamento crítico e a identificar conteúdos confiáveis", afirmou.
Ao falar sobre avaliação da aprendizagem, Sorhaya defendeu que o desempenho dos estudantes não pode ser medido apenas por provas, mas por todo o processo desenvolvido ao longo do período letivo.
"A avaliação começa no primeiro dia de aula e termina no último. Não podemos avaliar apenas uma nota. Precisamos observar o processo de aprendizagem, conversar com o aluno, entender suas dificuldades e também refletir sobre a prática do próprio professor", enfatizou.
A professora concluiu destacando que a educação precisa formar cidadãos críticos, conscientes de seu papel na sociedade e preparados para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais tecnológico, sem perder de vista a importância da formação humana e da valorização dos profissionais responsáveis por esse processo.
ASSISTA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA E AO VIVO: