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    porto velho, sábado 22 de agosto de 2026

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA - O figurino novo da velha política rondoniense

Há candidato para todos os gostos. Até para quem acredita que humildade se mede pela roupa....


Redação

Publicada em: 22/08/2026 15:16:40 - Atualizado

Foto - Rondonoticias edição IA

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA

O FIGURINO NOVO DA VELHA POLÍTICA RONDONIENSE

*Arimar Souza de Sá

Em Rondônia, a campanha começou — e, com ela, o velho desfile de promessas que se repete eleição após eleição. Mudam os rostos, os slogans, as embalagens e os palanques, mas, nos debates pelo Governo do Estado, a cantilena continua quase a mesma: debates rasos, promessas antigas, discursos requentados e pouca novidade.

Há candidato para todos os gostos. Até para quem acredita que humildade se mede pela roupa. O figurino eleitoral também entrou em cena: roupa surrada, jeito simples e discurso de homem do povo. O senador Marcos Rogério, candidato ao Governo de Rondônia, já percebeu que, em campanha, a imagem também vota. Afinal, entre uma promessa e outra, vende-se a embalagem.

Enquanto isso, no Tribunal Regional Eleitoral, as decisões parecem sair em capítulos. O caso de Samuel Costa é um exemplo. Mesmo após o PSB nacional dissolver o diretório em Rondônia, a disputa pela candidatura chegou à Justiça Eleitoral e foi abonada.

Por isso, Samuel ainda resiste, mas terá encolher o facho e seguir o que determinar a direção nacional. Em política, às vezes, a última palavra não vem do palanque — vem da Justiça ou do comando partidário.

E não é apenas a disputa interna que chama atenção. Há candidatos que, mesmo diante de condenações colegiadas e situações que podem resultar em inelegibilidade, continuam fazendo política como se a sentença não valesse nada. Mantêm discursos, estruturas e movimentações, sangrando a candidatura até o último minuto.

É como entrar em campo aos 45 do segundo tempo, sabendo que o juiz pode encerrar a partida, mas insiste em jogar até o apito final. Para o candidato, pode ser estratégia. Para o eleitor, fica a dúvida que às vezes se confunde com malandragem.

É justamente aí que o TRE-RO poderia ser mais efetivo. Sem atropelar prazos, direitos de defesa ou o devido processo legal, seria importante dar celeridade às decisões capazes de interferir diretamente no processo eleitoral.

Um verdadeiro mutirão eleitoral para julgar as pendências antes do pleito seria bem-vindo. Quanto mais cedo vier a definição, melhor para candidatos, partidos, Justiça Eleitoral e, principalmente, para o eleitor.

A urna não pode ser uma caixa-preta de incertezas. O eleitor precisa chegar ao dia da votação sabendo quem está efetivamente apto a disputar o mandato que pretende conquistar. Voto não é aposta em candidatura sub judice. É escolha política de gente ficha-limpa.

E há ainda as pesquisas. Ah, as pesquisas! Algumas parecem encomendadas mais para influenciar o eleitor do que para retratar fielmente sua intenção de voto. Números aparecem, manchetes surgem, gráficos sobem e descem, e o cidadão tenta descobrir onde termina a estatística e começa a propaganda.

Pesquisa séria informa. Quando usada para manipular, vira apenas mais uma peça de deboche do jogo eleitoral. E o eleitor, que não é bobo, percebe quando os números tentam falar mais alto que a realidade das ruas.

Nesse mercado insólito, quem mais ganha são os escritórios de advocacia, contratados a peso de ouro para vigiar jornais, redes sociais e declarações dos adversários. Uma palavra fora do tom pode virar representação, ação ou pedido de direito de resposta. É a política transformada em um grande tabuleiro de xadrez: enquanto os candidatos movimentam peças nas ruas, seus advogados movimentam outras nos tribunais, para mostrar serviço e fazer jus ao contrato.

Há, quem queira ganhar no voto. E quem prefira ganhar no tapetão. Mas o eleitor mudou. Com um celular na mão e acesso a uma avalanche de informações, compara discursos, promessas, passado e comportamento. Pode parecer calado, mas não está dormindo. Está anotando. Está comparando. Está guardando cada promessa para cobrar depois.

Também não faltam candidatos que parecem enxergar a campanha menos como projeto de governo e mais como oportunidade de acessar recursos do fundo partidário. Para esses, vale lembrar: dinheiro público tem dono, fiscalização e consequência quando há suspeita de irregularidade. E quando a Polícia Federal entra em cena, não costuma carregar confete. Algemas.

Mas a campanha, no entanto, ainda está apenas começando. Os palanques vão subir, as promessas vão aumentar, as pesquisas vão se multiplicar. Mas, no dia da urna, não haverá pesquisa, advogado, marqueteiro ou discurso capaz de apertar o botão pelo eleitor.

Será ele, sozinho diante da máquina, quem decidirá se quer comprar a velha promessa com roupa nova — ou abrir espaço para algo diferente, dar poder a gente decente.

Porque política pode até mudar o figurino. Mas roupa surrada não transforma promessa velha em novidade. E talvez essa seja a grande ironia desta eleição: enquanto alguns candidatos tentam parecer novos com discursos antigos, o eleitor pode estar procurando justamente aquilo que ainda não apareceu nos palanques — uma proposta capaz de olhar para Rondônia sem repetir o passado como se fosse futuro.

Quando as luzes dos palanques se apagarem, os carros de som silenciarem e as pesquisas perderem a utilidade, restará apenas a urna — e a consciência de quem votou.

E, cara a acara, o eleitor pode até errar. Mas desta vez, não terá desculpa para dizer que não sabia.

É tempo de reflexão!

AMÉM!

*O autor é jornalista, advogado e apresentador do Programa A VOZ DO POVO, da Rádio Caiari, FM, 103,1.


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