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porto velho, sábado 26 de setembro de 2026

PORTO VELHO - RO - O rompimento político com o governador Marcos Rocha poderia ter produzido um efeito imediato e pesado sobre a candidatura de Adailton Fúria ao Governo de Rondônia. Pelo menos até agora, porém, isso não aconteceu.
A pesquisa Quaest divulgada no dia 24 de setembro mostra que Fúria permanece com 21% das intenções de voto, exatamente o mesmo percentual registrado no levantamento anterior, divulgado em agosto. Ou seja: não avançou, mas também não despencou. E continua isolado na segunda colocação.
O dado merece atenção justamente pelo momento político vivido pelo candidato do PSD. Fúria entrou na campanha associado ao grupo do governador Marcos Rocha, mas posteriormente confirmou o rompimento com o chefe do Executivo estadual. A perda desse apoio levantou dúvidas sobre a capacidade de sua candidatura de conservar musculatura eleitoral na reta final.
Os números da Quaest, entretanto, indicam estabilidade. Enquanto Marcos Rogério saiu de 24% em agosto para 37% agora, um crescimento de 13 pontos percentuais, Fúria permaneceu estacionado nos 21%. Hildon Chaves aparece com 9%, Expedito Netto com 6%, Samuel Costa e Pedro Abib têm 1% cada.
É justamente aí que está a principal leitura sobre Fúria: ele perdeu apoio político, mas, até esta rodada, não perdeu proporcionalmente seu eleitorado.
Isso não significa que a situação seja confortável. Pelo contrário. O maior problema para Fúria talvez não esteja em olhar para trás, mas para frente. Enquanto conserva vantagem sobre os candidatos que aparecem abaixo dele, vê Marcos Rogério ampliar a distância na liderança.
A reta final, portanto, coloca diante do candidato do PSD uma missão clara: voltar a ganhar terreno. Manter os 21% foi suficiente para impedir uma queda após o rompimento com Marcos Rocha, mas somente a estabilidade pode não bastar se o primeiro colocado continuar avançando.
Ainda assim, Fúria permanece no centro da disputa. A própria Quaest mostra que, em uma simulação de segundo turno contra Hildon Chaves, o candidato do PSD aparece com 38%, diante de 23% do adversário. Já numa eventual disputa com Marcos Rogério, a pesquisa registra 45% para o candidato do PL e 27% para Fúria.
E segundo turno é uma eleição com dinâmica própria.
Encerrada a primeira etapa, alianças são refeitas, apoios mudam de endereço e uma parcela do eleitorado passa a escolher não apenas quem deseja eleger, mas também quem pretende impedir de chegar ao governo. Por isso, vantagem no primeiro turno não é automaticamente transferida para a etapa seguinte — embora chegar à frente seja, evidentemente, demonstração de força eleitoral.
Para Fúria, portanto, o desafio dos últimos dias é duplo: impedir que Marcos Rogério aumente ainda mais a diferença e, ao mesmo tempo, preservar a vantagem sobre os demais concorrentes.
Mas o relógio eleitoral corre.