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porto velho, segunda-feira 28 de setembro de 2026

PORTO VELHO-RO: O possível rompimento de uma barragem localizada na região de Ariquemes, dentro da área do garimpo Bom Futuro, foi alertado pelo Ministério Público Federal (MPF). A barragem de rejeitos tóxicos fica a 200 quilômetros de Porto Velho e, caso venha a romper, poderá causar danos comparáveis aos casos de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais.
Denominada Santa Cruz, a barragem retém os rejeitos minerários daquela que é considerada uma das maiores operações de lavra de cassiterita a céu aberto do mundo. Para evitar ser pego de surpresa, o procurador do MPF, Raphael Bevilaqua, determinou que a Agência Nacional de Mineração avalie a estabilidade da barragem e adote medidas urgentes.
Segundo informações coletadas pela reportagem, fotos, vídeos e relatos entregues ao MPF apontam falhas no controle de efluentes. Um dos moradores teria relatado um vazamento na barragem, que vem sendo observado pela comunidade desde o início deste ano.
Caso a estrutura venha a ceder, a lama com metais pesados poderá atingir a bacia do Rio Santa Cruz, descer o Vale do Jamari e chegar ao Rio Madeira, um dos principais afluentes do Amazonas, o que poderá caracterizar uma das maiores tragédias ambientais da história da Amazônia.
O garimpo Bom Futuro é uma região rica em minérios, explorada há décadas e dividida entre a concessão formal, controlada por grupos minerários e cooperativas, e frentes informais tocadas por garimpeiros.
A White Solder compra quase toda a cassiterita das cooperativas, incluindo a Coopersanta, apontada como proprietária da barragem. Essa empresa integra o grupo TOR, de propriedade da família Saccoman Torrente, que construiu fortuna em solo rondoniense.
