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porto velho, quarta-feira 14 de outubro de 2026

PORTO VELHO-RO: Porto Velho amanheceu na última terça-feira (13) encoberta por uma densa camada de fumaça provocada pelos incêndios florestais no Amazonas. Transportada pelos ventos que atuam na região, a fumaça chegou à capital de Rondônia, reduziu a visibilidade e comprometeu a qualidade do ar, aumentando a preocupação com os efeitos da poluição sobre a população.
De acordo com dados da plataforma internacional IQAir, o Índice de Qualidade do Ar (IQA) em Porto Velho chegou a 120, nível considerado prejudicial para grupos sensíveis, especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. A situação exige cuidados para reduzir a exposição aos poluentes presentes na atmosfera.
O cenário está relacionado ao avanço das queimadas no Amazonas. Segundo dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o estado registrou 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro, um aumento de 271% em comparação com o mesmo período de 2025.
Imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram a concentração de fumaça sobre áreas do Amazonas e seu deslocamento em direção a regiões vizinhas, incluindo Porto Velho. A circulação dos ventos contribui para transportar os poluentes por longas distâncias, fazendo com que os efeitos dos incêndios ultrapassem as áreas diretamente atingidas pelo fogo.
ESTIAGEM AGRAVA A SITUAÇÃO
Além da fumaça, Porto Velho enfrenta os impactos da estiagem, que reduziu o nível do rio Madeira e provocou o surgimento de extensas faixas de areia em áreas antes cobertas pela água. Segundo a Defesa Civil Municipal, mais de 22 mil pessoas são afetadas pela seca, que levou o município a decretar situação de emergência.
A combinação de queimadas, baixa umidade e estiagem aumenta a preocupação com a saúde pública e os impactos ambientais. A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar doenças preexistentes, sobretudo entre pessoas mais vulneráveis.
Diante do quadro, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) recomenda que a população beba água regularmente, reduza a exposição à fumaça, utilize máscaras de proteção quando necessário e mantenha os ambientes umidificados. Também orienta os moradores a não realizar queimadas e a denunciar focos de incêndio.
AMAZÔNIA SOB PRESSÃO
A fumaça que encobriu Porto Velho evidencia que os incêndios florestais representam um problema regional, com consequências que atingem municípios distantes das áreas em chamas. Mesmo com a redução dos focos de incêndio registrados na capital em comparação com 2025, a chegada de fumaça de outros estados continua afetando a qualidade do ar.
A Prefeitura informou que mantém ações de fiscalização, prevenção e monitoramento ambiental. A colaboração dos moradores, especialmente na prevenção de queimadas e na comunicação de focos de incêndio, é considerada fundamental para reduzir os riscos à saúde e ao meio ambiente.
Denúncias sobre queimadas em Porto Velho podem ser feitas pelo WhatsApp da Sema, no número (69) 98423-4092, ou presencialmente na Rua General Osório, nº 81, no Centro, das 8h às 14h.
Com a continuidade dos incêndios no Amazonas, a situação reforça a necessidade de intensificar o combate ao fogo e adotar medidas de proteção para a população exposta à fumaça.