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porto velho, quinta-feira 22 de outubro de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quinta-feira (22/10) recebeu o secretário municipal de Trânsito de Porto Velho, Iremar Torres, para uma entrevista sobre os desafios da mobilidade urbana, o crescimento da frota de veículos e os elevados índices de acidentes na capital de Rondônia. Durante a conversa, o secretário apresentou um dado preocupante: 93% dos sinistros de trânsito registrados entre janeiro e julho tiveram o comportamento humano como fator determinante.
O levantamento, apresentado pelo titular da Secretaria Municipal de Trânsito (Semtran), evidencia que a imprudência e o desrespeito às normas de circulação representam obstáculos importantes para a segurança viária. Segundo o secretário, embora problemas estruturais e falhas mecânicas também possam contribuir para acidentes, o comportamento de motoristas, motociclistas e pedestres tem peso predominante nas ocorrências registradas no município.
Ao analisar os números, Iremar destacou que grande parte dos acidentes poderia ser evitada com atitudes mais responsáveis por parte de quem utiliza as vias públicas.
“Dos sinistros que acontecem na cidade, 93% poderiam ter sido evitados”, afirmou o secretário, ao relacionar o elevado percentual à necessidade de mudanças no comportamento dos usuários do trânsito.
A preocupação ganha ainda mais relevância diante do crescimento da frota de Porto Velho, estimada pelo secretário em aproximadamente 260 mil veículos. Com ruas que nem sempre acompanham a expansão urbana, a capital já enfrenta períodos de lentidão, especialmente nos horários de maior movimentação.
Apesar disso, Iremar ponderou que os congestionamentos ainda não atingiram a gravidade observada em grandes centros urbanos brasileiros. Para ele, entretanto, a situação exige planejamento antecipado, sem esperar que os problemas se agravem.
Nesse sentido, explicou que a secretaria acompanha a formação de filas e o fluxo de veículos para identificar pontos que necessitam de intervenções. A intenção é melhorar a circulação e reduzir os riscos em locais de maior concentração de tráfego.

Outro ponto abordado durante a entrevista foi a dificuldade de parte dos condutores em respeitar as faixas de pedestres. Arimar Souza de Sá chamou atenção para situações em que um motorista interrompe a circulação para permitir a travessia, enquanto outro veículo continua avançando, colocando a vida de quem atravessa em risco.
Ao responder, o secretário reconheceu que o desrespeito às regras é um problema recorrente, mas ressaltou que os pedestres também precisam adotar medidas de segurança. Entre as orientações está o chamado sinal de vida, gesto feito com a mão para indicar aos motoristas a intenção de atravessar.
Segundo ele, também são observadas situações em que pessoas deixam de utilizar faixas próximas e tentam atravessar em locais inadequados, especialmente em vias com grande volume de veículos.
Além das questões comportamentais, Iremar apresentou medidas adotadas pela Semtran para reorganizar cruzamentos e tornar a circulação mais segura.
Um dos exemplos citados foi a intervenção realizada no encontro das ruas Abacateiro e Algodoeiro, onde a configuração anterior, com uma rotatória frequentemente desrespeitada, provocava dificuldades na circulação.
Para enfrentar o problema, a secretaria implantou uma nova canalização de tráfego e utilizou cilindros balizadores, dispositivos que ajudam a orientar os veículos e delimitar os espaços de circulação.
De acordo com o secretário, os primeiros resultados são positivos, e a equipe continua acompanhando os dados para avaliar o funcionamento da intervenção.
A modernização da sinalização, entretanto, não é considerada suficiente para transformar o trânsito da capital. Durante a entrevista, Iremar ressaltou a importância das ações educativas realizadas pela Semtran em escolas e empresas.
O trabalho envolve orientações sobre travessia segura, circulação de ciclistas, condução de motocicletas e utilização correta dos equipamentos de proteção. A secretaria também atende solicitações de empresas interessadas em oferecer palestras de segurança viária aos trabalhadores.
Entre os assuntos que mais preocupam o secretário está o uso inadequado do capacete por motociclistas. Conforme explicou, imagens de acidentes mostram situações em que o equipamento se desprende da cabeça logo no primeiro impacto, geralmente porque não estava devidamente afivelado.
Iremar observou que muitos condutores utilizam o capacete apenas para evitar penalidades, sem compreender plenamente sua função de proteção.
Para o secretário, o equipamento precisa permanecer corretamente ajustado durante toda a condução, pois sua finalidade é reduzir o risco de lesões graves na cabeça em caso de queda ou colisão.
A entrevista também abordou os riscos associados à circulação de veículos elétricos individuais. Arimar relatou ter presenciado, na região da Estrada da Penal, uma mulher transportando duas crianças em um veículo desse tipo, sem que nenhum dos ocupantes utilizasse capacete.
O episódio foi mencionado como exemplo de comportamento que pode comprometer a segurança, especialmente quando envolve crianças expostas aos riscos do trânsito.
Ao longo da conversa, o secretário reforçou que a melhoria da mobilidade urbana depende de ações combinadas, envolvendo infraestrutura, sinalização, fiscalização e conscientização.
Com uma frota crescente e mudanças cada vez mais perceptíveis na circulação de veículos, Porto Velho enfrenta o desafio de modernizar suas vias e, principalmente, estimular uma cultura de respeito às normas de trânsito.
Para Iremar Torres, os dados apresentados demonstram que a redução dos acidentes não depende exclusivamente de obras ou equipamentos, mas também de uma transformação na maneira como motoristas, motociclistas e pedestres se comportam diariamente nas ruas da capital.
ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA, NA ÍNTEGRA E AO VIVO AQUI: