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    porto velho, sexta-feira 6 de fevereiro de 2026

BC ainda pode ter reputação arranhada pelo caso Master, diz ex-diretor

Em entrevista ao Capital Insights, Reinaldo Le Grazie ressaltou que autarquia tomou providências necessárias e corretas, fazendo alertas...


CNN BRASIL

Publicada em: 05/02/2026 18:04:00 - Atualizado

Foto: Reprodução

BRASIL - O Banco Central ainda não está livre de ter sua reputação arranhada em consequência dos desdobramentos do Caso Master, avaliou o ex-diretor de Política Monetária da autarquia e sócio fundador da Panamby Capital, Reinaldo Le Grazie.

"A instituição está sob ataque, abriu uma investigação interna em meio a um incêndio e ainda não sabemos as proporções que vai tomar o caso", disse.

Em entrevista ao programa Capital Insights, fruto da parceria entre a Broadcast e o CNN Money, desta quinta-feira (5), o ex-diretor do BC pontuou que a instituição tomou as providências necessárias e corretas, fazendo diversos alertas e pedidos de enquadramento e reestruturação ao Master, como é recomendado.

Disse também que a liquidação de uma instituição tem que ser vista como uma coisa usual, assim como nos Estados Unidos, onde "isso ocorre com frequência" e sempre que é necessário. O problema no caso Master, segundo ele, são os sinais de fraude.

Le Grazie disse também que a possibilidade de risco sistêmico é "mínima". Ele lembrou que a evolução tecnológica permitiu o surgimento de muitas instituições financeiras de características diversas, que elevaram a concorrência no sistema financeiro, mas que podem apresentar problemas pontuais. E destacou a existência de banco grandes e sólidos no Brasil.

Política Monetária

Sobre a mudança de postura assumida pelo Comitê de Política Monetária do BC, que em sua última reunião sinalizou o início do corte de juros em março, Le Grazie teceu elogios.

"Faz sentido o BC sinalizar queda e em março deve dar pistas sobre o ritmo dos cortes", afirmou. Sua aposta é de que a autoridade faça seis ajustes de 0,5 ponto porcentual na taxa Selic durante 2026. Isso levaria a taxa básica para 12% no encerramento do ano.

O ex-BC estima um crescimento ao redor de 1,8%, mas não descarta uma surpresa positiva, uma vez que este é um ano eleitoral e os gastos governamentais tendem a impulsionar a atividade.

Ele também vê continuidade de dólar fraco, porém vislumbra o risco de uma inversão caso as eleições dos Estados Unidos mostrem enfraquecimento de Donald Trump. Isso prejudicaria o Brasil.

Por enquanto, na avaliação de Le Grazie, o governo Trump teve consequências positivas para o Brasil, que se beneficiou da fuga de recursos globais dos Estados Unidos, em busca de emergentes.

O movimento, que ocorreu durante boa parte do ano passado, foi forte em janeiro e valorizou os ativos nacionais em intensidade surpreendente para o mercado.

Porém, embora não veja o movimento como concluído e vislumbre um ano de recuo nos juros, Le Grazie afirmou que "12% de juro básico e cerca de 9% de taxa real é muita coisa e a renda fixa ainda seguirá atraente".

O sócio da Panamby é pessimista em relação a uma eventual retomada dos IPOs de empresas brasileiras no mercado doméstico este ano e diz que o apetite dos estrangeiros ainda está concentrado em companhias e bancos de grande porte, sólidos e consolidados.

Indicações

Para o ex-comandante da Política Monetária brasileira, a escolha de Kevin Warsh para o comando do Federal Reserve, o banco central dos EUA, foi acertada.

Ele ponderou, no entanto, que Warsh terá dificuldades para cortar os juros norte-americanos dadas as condições de atividade e inflação do país.

Em relação às indicações de Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para a diretoria do Banco Central do Brasil, Le Grazie evitou avaliações pessoais.

Ele afirmou que, dentro do BC, os profissionais têm à disposição um arcabouço e embasamento técnico grande e robusto, e isso garante o contínuo bom trabalho da instituição.


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