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porto velho, quinta-feira 15 de outubro de 2026

O Senado aprovou nesta quinta-feira (15), por 78 a 0, o projeto que aumenta gradualmente o limite anual de faturamento do microempreendedor individual (MEI), dos atuais R$ 81 mil para R$ 140 mil em 2028.
Pela proposta, o reajuste será feito em duas etapas:
A medida também permite que o MEI tenha até dois funcionários, ante apenas um atualmente.
Como não houve mudanças na proposta aprovada pela Câmara na noite de quarta-feira (14), o texto segue para sanção presidencial de Lula (PT).
O novo teto ficará abaixo da correção pela inflação acumulada desde janeiro de 2018, quando passou a valer o último reajuste.
Corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre aquele mês e setembro de 2026 , os R$ 81 mil equivaleriam hoje a cerca de R$ 126,8 mil, acima dos R$ 110 mil previstos para 2027.
Já o teto de R$ 140 mil, previsto para 2028, representa aumento de 72,8% em relação ao valor atual. Na justificativa, o governo afirma que os R$ 81 mil atuais chegariam a cerca de R$ 143,1 mil ao fim de 2028 com base nas projeções de inflação do Boletim Focus.
O governo também estima perda de arrecadação de R$ 1,57 bilhão em 2027, R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029 com a ampliação do número de empreendedores que poderão permanecer no regime do MEI. A renúncia terá de ser considerada nos Orçamentos desses anos.
A proposta também prevê o perdão de dívidas de MEIs com o governo federal existentes até 13 de outubro de 2026, independentemente de já estarem inscritas na dívida ativa.O benefício inclui juros, multas e outros encargos relacionados.
O perdão pode alcançar cerca de R$ 12,6 bilhões em dívidas de aproximadamente 3,6 milhões de microempreendedores. Para manter o benefício, o MEI deverá ficar em dia com os recolhimentos nos seis meses seguintes à entrada em vigor da medida.
Apesar do valor nominal das dívidas, o impacto fiscal estimado pelo governo é menor porque a maior parte desse valor já era considerada de difícil recuperação e não seria necessariamente arrecadada pelo governo.
A renúncia prevista é de cerca de R$ 1,12 bilhão em 2027, R$ 1,01 bilhão em 2028 e R$ 909,4 milhões em 2029.
A aprovação ocorre dois dias depois de Lula anunciar o pacote Prospera MEI, que incluiu o aumento do limite de faturamento entre as medidas voltadas aos microempreendedores. O projeto que altera o teto, no entanto, havia sido enviado pelo Executivo ao Congresso ainda em junho.
Na Câmara, o texto foi aprovado por 461 votos a 4 após o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), acertar com o governo separar a mudança específica para os MEIs da discussão mais ampla sobre o reajuste das faixas do Simples Nacional, que teria impacto fiscal maior.
A expectativa é que Lula sancione o projeto na próxima semana, a última antes do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro.
O pacote para os MEIs é uma das principais apostas do Planalto para tentar reverter a desvantagem do primeiro turno, quando Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.