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porto velho, sexta-feira 21 de agosto de 2026

PORTO VELHO-RO: Cinco dias separaram o discurso de enfrentamento da decisão que redesenhou o futuro eleitoral de Samuel Costa em Rondônia. No debate de 18 de agosto, o candidato do PSB subiu o tom contra Expedito Netto, acusando o petista de participar de articulações para retirar sua candidatura ao Governo. Dois dias depois, a direção estadual do PSB confirmou justamente a saída da legenda da disputa pelo Palácio Rio Madeira e a manutenção da aliança com Netto.
No confronto transmitido pela Band, Samuel não economizou nas acusações. Disse que Netto teria tentado “puxar seu tapete” e também citou a candidatura de Neidinha Suruí ao Senado. Segundo relato publicado após o debate, Samuel ainda acusou o adversário de dissimulação e questionou sua trajetória política. Netto negou qualquer articulação e afirmou que as decisões sobre o PSB deveriam ser tratadas no âmbito da própria legenda.
O episódio ganhou ainda mais peso porque Samuel havia chegado ao debate sustentando publicamente sua permanência na corrida eleitoral, mesmo diante da intervenção da Executiva Nacional do PSB e da tentativa de reorganização do partido em Rondônia. O confronto com Netto, portanto, acabou simbolizando a resistência do candidato diante da mudança de rumo imposta à legenda.
A política, porém, costuma cobrar a conta das circunstâncias. Na reunião desta quinta-feira (20), a Comissão Provisória Estadual do PSB decidiu restabelecer as candidaturas a deputado estadual e federal, mas manteve a retirada da candidatura própria ao Governo e preservou a aliança com a Federação Brasil da Esperança, que tem Expedito Netto como candidato ao Executivo estadual.
Na prática, Samuel Costa deixa a disputa majoritária e passa a concentrar sua estratégia nas eleições proporcionais. A mudança representa uma guinada em relação ao cenário apresentado dias antes, quando o candidato ainda se colocava como nome do PSB na corrida pelo Governo.
O episódio cria um contraste político difícil de ignorar. Diante das câmeras, Samuel partiu para o ataque e colocou Expedito Netto no centro das acusações sobre a retirada de sua candidatura. Pouco depois, o próprio partido abandonou a disputa majoritária e passou a integrar a chapa encabeçada pelo adversário.
A nova configuração não apaga o confronto ocorrido no debate, mas muda completamente seu significado político. O candidato que prometia resistir à pressão partidária agora terá de conviver eleitoralmente com a mesma candidatura que, poucos dias antes, havia colocado sob forte questionamento.
Samuel não desaparece da eleição. Ao contrário, o PSB decidiu preservar suas chapas proporcionais. Mas a mudança reduz drasticamente o espaço que o candidato ocupava no tabuleiro majoritário e o coloca diante de uma nova tarefa: transformar a exposição obtida na disputa pelo Governo em votos para a Câmara Federal ou Assembleia Legislativa.
Enquanto isso, Expedito Netto segue como candidato ao Governo pela aliança que incorporou o PSB. A mudança ocorreu em meio à intervenção nacional na legenda, que destituiu o comando estadual anterior e reorganizou a estratégia partidária para 2026.
O episódio deixa uma das cenas mais curiosas da atual pré-campanha: Samuel Costa foi ao debate para enfrentar Expedito Netto, mas terminou a semana fora da disputa pelo Governo e dentro da aliança que sustenta a candidatura do petista.