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    porto velho, segunda-feira 28 de setembro de 2026

A seis dias das urnas, campanha eleitoral desaparece das ruas de Rondônia

Em 2026, a sensação é outra. A campanha parece ter migrado para dentro das telas...


Redação

Publicada em: 28/09/2026 11:07:31 - Atualizado

imagem - montagem rondonoticias/ia

PORTO VELHO - RO - Faltando apenas seis dias para as eleições de 4 de outubro, Rondônia vive uma campanha estranhamente silenciosa. Quem atravessa Porto Velho ou percorre cidades do interior dificilmente encontra o mesmo cenário visto em eleições passadas, quando ruas, esquinas e avenidas eram tomadas por cabos eleitorais, bandeiras, santinhos e pequenos exércitos de apoiadores.

Em 2026, a sensação é outra. A campanha parece ter migrado para dentro das telas.

Vídeos, cortes de debates, anúncios patrocinados, transmissões ao vivo e ataques entre adversários dominam as redes sociais, enquanto nas ruas o movimento é bem mais discreto. A própria regulamentação eleitoral de 2026 dedica atenção específica à propaganda na internet e nas redes sociais, mostrando o peso que o ambiente digital ganhou no processo eleitoral.

As tradicionais “formiguinhas” — cabos eleitorais contratados para distribuir material, balançar bandeiras e abordar eleitores — aparecem em número menor do que em outros pleitos. Também chama atenção a redução aparente na distribuição de cartazes, panfletos e santinhos.

Nas eleições anteriores, bastava circular pelos principais cruzamentos para perceber que o calendário eleitoral havia começado. Neste ano, a pouco menos de uma semana da votação, há locais onde praticamente nada denuncia que Rondônia está prestes a escolher governador, senadores, deputados, além do presidente da República.

O contraste é ainda maior porque o calendário já está praticamente na porta da urna. O próprio TRE de Rondônia entrou na fase final de preparação dos equipamentos ainda em setembro, com geração de mídias, carga de informações e lacração das urnas.

Enquanto a Justiça Eleitoral acelera os preparativos para receber o eleitor, parte das campanhas parece segurar estrutura, material e mobilização para os últimos dias.

Há também um componente financeiro.

Mesmo com recursos eleitorais milionários circulando entre partidos e candidaturas, a impressão nas ruas é de dinheiro mais concentrado nas estruturas profissionais de campanha, publicidade, produção audiovisual, impulsionamento digital, viagens e reta final, e menos espalhado entre trabalhadores temporários e ações tradicionais de rua.

É justamente essa ausência de dinheiro pulverizado na base que ajuda a produzir uma campanha menos visível.

Menos gente segurando bandeira significa menos diária paga. Menos santinho distribuído significa menos gráfica, menos transporte e menos equipes trabalhando nas esquinas. Na prática, reduz-se aquela circulação de recursos que historicamente acompanhava os meses eleitorais.

Isso não significa necessariamente que as campanhas estejam pobres ou paradas. Pelo contrário: muitas estão altamente profissionalizadas. O que mudou foi o endereço da disputa.

O palanque virou vídeo.

O comício virou “live”.

O cabo eleitoral virou grupo de WhatsApp.

E o santinho, em muitos casos, foi substituído por postagem patrocinada.

A eleição de 2026 em Rondônia vai se desenhando, assim, como uma das mais silenciosas dos últimos tempos no espaço físico, embora extremamente barulhenta no ambiente digital.

O eleitor está sendo bombardeado por política no celular, mas encontra muito menos campanha quando coloca os pés na rua.

A sete dias da votação, resta saber se esse silêncio será mantido até a abertura das urnas ou se partidos e candidatos estão apenas economizando munição para transformar a última semana numa verdadeira corrida pelo voto.

No dia 4 de outubro, mais de 1,2 milhão de eleitores rondonienses estão aptos a participar das eleições gerais no Estado.

Até lá, Rondônia vive um paradoxo eleitoral: nunca se falou tanto de política nas telas e, ao mesmo tempo, parece ter havido tão pouca eleição nas ruas.


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