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porto velho, quinta-feira 16 de abril de 2026

Escrevo este artigo na defesa intransigente da soberania do Brasil, da democracia, do trabalho, da produção nacional e do interesse do povo brasileiro acima de alinhamentos automáticos a potências estrangeiras, igrejas, grupos econômicos ou projetos pessoais. Não se trata de xenofobia, intolerância ou autoritarismo. Trata-se, ao contrário, de afirmar um Brasil independente, socialmente justo e politicamente democrático.
Em Rondônia, a esquerda disputa eleição em território hostil. O estado é majoritariamente conservador e bolsonarista: em 2022, Jair Bolsonaro obteve 70,66% dos votos válidos no segundo turno e venceu em todos os municípios.
Além disso, parte relevante da direita local se apoia em segmentos religiosos e em um discurso moralista, punitivista e ultraconservador, muitas vezes mais próximo do autoritarismo do que da convivência democrática. É um campo político que se alimenta da guerra cultural, da demonização do adversário e de referências externas, como o alinhamento automático aos Estados Unidos e a Israel, mesmo quando o debate central do Brasil deveria ser a defesa da democracia, da soberania e dos direitos sociais.
Diante desse cenário, o mais grave é ver o campo progressista dividido. Hoje, há uma pré-candidatura do PT, com Expedito Netto, outra no PSB, com Samuel Costa e o advogado Luiz Carlos Teodoro pelo PSOL.
Na minha avaliação, essa fragmentação não fortalece a esquerda rondoniense, enfraquece. Em vez de construir uma causa comum, o campo progressista corre o risco de produzir candidaturas que servem mais para marcar posição individual, aparecer em debate e ocupar espaço na mídia do que para dialogar de verdade com o eleitorado.
Em um estado como Rondônia, não basta ter candidato: é preciso ter sentido político. E esse sentido deveria ser claro: defender a democracia, enfrentar o avanço da extrema direita e apresentar um projeto social e popular capaz de falar com a vida concreta do povo.
O exemplo do Rio Grande do Sul é eloquente. Lá, a direção nacional do PT decidiu não lançar candidatura própria ao governo e apoiar Juliana Brizola, do PDT, em nome de uma estratégia mais ampla no campo democrático.
É exatamente esse tipo de maturidade que falta em Rondônia. Mesmo numa eleição difícil, o campo progressista deveria buscar a unidade de luta em torno de uma única candidatura. Não porque isso garantiria vitória, mas porque daria coerência, densidade política e identidade a uma oposição que hoje parece dispersa.