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porto velho, quarta-feira 22 de abril de 2026

Rondônia nasceu do esforço bruto de quem abriu picadas no meio da mata, nos primórdios de sua ocupação, e transformou isolamento em caminho. Foi erguida por mãos calejadas, por gente que apostou na terra quando ainda não havia garantias — apenas coragem e desafio pela frente enfrentado o bicho-papão.
Nos anos de formação, entre idas e vindas, o estado viu surgir lideranças: algumas comprometidas com o coletivo, outras nem tanto — mas todas moldadas por um tempo em que tudo ainda estava por fazer. Era um tempo em que a esperança andava de mãos dadas com o risco, como quem atravessa um rio sem saber a profundidade.
Hoje, no entanto, com outra maturidade, Rondônia já não é terra de improviso nem de espertalhões. É um estado que aprendeu, muitas vezes pela dor, a desconfiar de atalhos e promessas fáceis. O eleitor, mais atento, carrega na memória os erros do passado e observa com mais cuidado os movimentos do presente. Já não se deixa levar por cantos de sereia nem por brilhos passageiros que, na política, costumam durar menos que uma estação.
Estamos no período pré-eleitoral e é nesse cenário que, a cada ciclo, ressurgem as chamadas pesquisas. Nem todas, evidentemente, cumprem o papel de retratar o momento. Algumas surgem como instrumento técnico legítimo. Outras, porém, aparecem com um objetivo menos nobre: induzir. São levantamentos que parecem mais alinhados ao interesse de quem os financia do que à realidade das ruas. Criam cenários artificiais, inflacionam candidaturas, fabricam competitividade onde ela ainda não existe — e, sobretudo, tentam conduzir o eleitor pelo caminho da percepção, não da convicção. Nesses casos, o número deixa de ser bússola e passa a ser neblina.
O problema, creio, não está na pesquisa em si, mas no uso que se faz dela. Quando números passam a ser apresentados como verdade incontestável, sem transparência metodológica clara ou lastro consistente, deixam de informar e passam a influenciar. E, nesse jogo, o risco é evidente: transformar a eleição em disputa de narrativa, e não de propostas. É quando a fotografia do momento tenta virar roteiro do futuro — e nem sempre com fidelidade.
Por isso, o momento exige vigilância. Do Tribunal Regional Eleitoral, que precisa acompanhar com rigor técnico e jurídico cada levantamento divulgado. Das autoridades, que não podem fechar os olhos para distorções. E, principalmente, do eleitor — que não pode terceirizar sua decisão a gráficos e percentuais. Democracia não se mede apenas em números; constrói-se em consciência.
Porque, no fim das contas, nenhuma pesquisa vota. Quem decide é o cidadão, com sua memória, sua percepção e sua consciência. E é nesse silêncio da urna, longe dos números alardeados, que a verdade costuma prevalecer — silenciosa, mas firme como raiz que sustenta a árvore.
Olho vivo, então.