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    porto velho, quarta-feira 3 de junho de 2026

Pedágio começa a pesar no bolso e chega à mesa dos rondonienses

Alta dos custos de transporte já preocupa consumidores, comerciantes e produtores


Redação

Publicada em: 03/06/2026 10:49:48 - Atualizado

PORTO VELHO-RO: O pedágio da BR-364 ainda nem completou seu ciclo de implantação, mas seus efeitos já começam a ser sentidos longe das praças de cobrança. O impacto agora desembarca nos supermercados, nas feiras, nos depósitos de materiais de construção e, principalmente, na mesa do consumidor rondoniense.

A lógica é simples e implacável: quando aumenta o custo para transportar mercadorias, alguém paga a conta. E, historicamente, esse alguém costuma ser o consumidor final.

Empresários do setor de logística alertam que a cobrança das tarifas eleva os custos operacionais de caminhões que cruzam diariamente o estado transportando alimentos, combustíveis, medicamentos, insumos agrícolas e produtos industrializados. O resultado é uma reação em cadeia que termina nas etiquetas dos estabelecimentos comerciais.

Produtos básicos, como arroz, feijão, óleo, carne, frutas e verduras, podem sofrer reajustes gradativos à medida que os novos custos forem incorporados ao sistema de distribuição. O mesmo vale para materiais de construção, eletrodomésticos e mercadorias vindas de outras regiões do país.

Em Rondônia, a preocupação é ainda maior porque a BR-364 funciona como a verdadeira artéria econômica do estado. Quase tudo o que entra e sai passa pela rodovia. Quando o custo do tráfego aumenta, o reflexo se espalha por toda a economia.

Especialistas observam que o pedágio não afeta apenas o transporte de mercadorias. O produtor rural que leva sua produção para os centros consumidores paga mais. O distribuidor paga mais. O comerciante paga mais. E, ao final da cadeia, a conta inevitavelmente chega ao cidadão comum.

O tema já desperta preocupação entre entidades empresariais e representantes do setor produtivo. Embora a concessão da BR-364 seja defendida por seus benefícios em infraestrutura, segurança e investimentos, cresce o debate sobre o peso financeiro que as tarifas podem impor a uma população que já convive com inflação elevada e perda do poder de compra.

Para muitas famílias, a sensação é de que o pedágio saiu das cancelas e entrou diretamente na cozinha. O café da manhã, o almoço e o jantar passam a carregar um custo invisível, mas cada vez mais perceptível.

Afinal, numa economia em que o transporte é peça fundamental, o pedágio não fica na estrada. Ele viaja junto com a carga, entra nos estabelecimentos comerciais e termina, inevitavelmente, no carrinho de compras do consumidor.

O que antes era apresentado apenas como uma tarifa rodoviária começa a revelar sua face mais concreta: a de um novo componente do custo de vida dos rondonienses. E essa é uma conta que ninguém consegue desviar pela estrada alternativa.


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