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porto velho, sexta-feira 26 de junho de 2026

BRASIL: Encarada pelos estudantes como um dos grandes desafios do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), a redação é um importante indicativo dos critérios de escrita, interpretação de texto e domínio da língua portuguesa dos alunos.
Na edição de 2025 do exame, no entanto, a prática do texto teve uma queda de 6% na média nacional das notas.
A redução ocorreu tanto nas escolas públicas (-6,8%) quanto nas privadas (-4,33%). Os dados fazem parte de um levantamento da Arco Educação, plataforma de educação básica.
A análise dos microdados mostra que a queda foi observada em todas as competências avaliadas na redação, especialmente na Competência 2, responsável por medir a compreensão do tema, o uso do repertório sociocultural e o domínio do texto dissertativo-argumentativo.
Os números podem indicar uma mudança de rota na avaliação da redação pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), com menos tolerância a modelos padronizados.
“O cenário da educação estava acostumado a um modelo imposto há anos, em que fórmulas prontas e ‘repertórios de bolso’ inflavam as notas mais altas. O que vimos no Enem 2025 foi um movimento natural do Inep para resgatar o rigor técnico do exame. O veto a esses textos que se encaixavam em qualquer tema provavelmente foi o grande responsável pela queda nas notas acima de 900", avalia o diretor de Ensino e Inovações Educacionais da Arco Educação, Ademar Celedônio.
De acordo com ele, pela queda ter sido observada em instituições públicas e privadas, a redução pode não indicar que os estudantes pioraram a escrita de uma edição para outra, mas sim a uma exigência maior da correção do texto, à articulação dos argumentos e à pertinência das referências utilizadas pelos candidatos.
"O resultado sugere uma mudança mais ampla na forma de valorização dos textos, com menor tolerância a modelos padronizados e maior peso para autoria, pertinência do repertório sociocultural e qualidade da argumentação”, completa ele.
Na edição passada, foram com 16.698 instituições e um salto de 7,7% no volume de alunos. O aumento também foi observado na rede privada de ensino, que cresceu 2,7% na participação de alunos.
Outro dado que chamou atenção foi a redução do número de estudantes nas faixas mais altas de desempenho. Além da queda da média nacional, houve um afunilamento no topo da distribuição das notas, com menos candidatos alcançando pontuações acima de 900 e menos escolas registrando médias superiores a 700 pontos em Redação.
A área de Matemática na rede pública na última edição teve médica de 485 pontos (queda de 1,42%). Já a das escolas privadas alcançou 605 pontos.
A diferença é de 120 pontos e, de acordo com a Arco, o resulta reforça desafios estruturais da educação básica brasileira.
“Muitos estudantes chegam ao ensino médio com lacunas acumuladas em conteúdos fundamentais, como proporcionalidade, álgebra, geometria, estatística e interpretação de gráficos. Como a Matemática depende de encadeamento de conhecimentos, fragilidades na base acabam comprometendo a capacidade de resolver problemas mais complexos”, afirma Celedônio. “Conseguir fazer um diagnóstico dos dados e entender onde estão as maiores dificuldades permite que as escolas possam direcionar os seus esforços para desenvolver uma estrutura curricular e uma cultura de estudo que foque na evolução do aluno."