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    porto velho, segunda-feira 24 de agosto de 2026

MPF aponta irregularidades em 260 mil bovinos abatidos pelo Frigorífico Irmãos Gonçalves

Auditoria indica que 32,6% dos animais analisados entre 2023 e 2024 estavam ligados a propriedades com indícios de irregularidades socioambientais...


Redação

Publicada em: 24/08/2026 17:43:41 - Atualizado

Foto: Reprodução

RONDÔNIA - O Ministério Público Federal (MPF) apontou que 260.952 cabeças de gado abatidas pelo Frigorífico Irmãos Gonçalves (Frigon), em Rondônia, entre 2023 e 2024 estavam associadas a propriedades com indícios de irregularidades socioambientais. O número representa 32,6% dos 800.141 animais analisados no período.

Os dados fazem parte do 3º ciclo de auditorias do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne. Conforme o levantamento, os animais sob suspeita teriam origem relacionada a propriedades com ocorrências de desmatamento ilegal, invasão de terras indígenas e unidades de conservação ou registros de exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão.

Segundo as informações divulgadas, o Frigon não apresentou ao MPF os dados comerciais de suas aquisições para a auditoria. Diante disso, a análise foi realizada por meio do cruzamento automatizado de dados públicos, incluindo a totalidade das Guias de Trânsito Animal (GTAs) e remessas destinadas às unidades da empresa em Rondônia.

O procurador da República Gabriel de Amorim Silva Ferreira afirmou que a atuação da empresa receberá atenção do MPF diante do volume de operações no Estado. Segundo ele, representantes do frigorífico informaram em reuniões que possuem mecanismos próprios de monitoramento, mas não aceitariam se submeter às auditorias do órgão.

“Por que a empresa se recusa a ser transparente com a sociedade civil?”, questionou o procurador.

Histórico de disputa judicial

Os novos apontamentos surgem em meio a um histórico de disputa judicial envolvendo a compra de animais provenientes da Reserva Extrativista Jaci-Paraná.

Em decisão de primeira instância, o Frigorífico Irmãos Gonçalves e dois pecuaristas foram condenados ao pagamento de R$ 9.582.224,50 por danos relacionados ao desmatamento e à exploração irregular na unidade de conservação.

Laudos apontaram desmatamento a corte raso de 570,48 hectares de floresta nativa. Guias de Trânsito Animal anexadas ao processo indicaram que animais criados irregularmente dentro da reserva foram comercializados e posteriormente abatidos pelo frigorífico.

Posicionamento do Grupo Irmãos Gonçalves

O Grupo Irmãos Gonçalves afirma que não possui propriedades rurais, não cria bovinos e não mantém exploração agropecuária dentro da Reserva Extrativista Jaci-Paraná.

A empresa sustenta que atua no abate de animais adquiridos de pecuaristas e que suas operações de compra são acompanhadas pela documentação oficial exigida pelos órgãos estaduais responsáveis pelo controle da circulação dos animais.

O grupo também afirma respeitar as decisões judiciais e informa que continuará adotando as medidas cabíveis nos tribunais para defender a legalidade e a conformidade ambiental de suas operações.


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