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    porto velho, sexta-feira 2 de janeiro de 2026

Atendimento do Samu teve aumento no número de trotes no ano de 2022

Crianças são responsáveis pela maioria das ligações falsas recebidas pelo 192 em Porto Velho


Assessoria

Publicada em: 13/01/2023 09:28:21 - Atualizado


PORTO VELHO, RO - Passar trotes aos serviços de emergência é um crime previsto pelo artigo 266 do Código Penal Brasileiro, e o infrator pode pegar de um a seis meses de detenção. Além disso, crianças e adolescentes também podem ser punidos. Entretanto, a maior consequência dos trotes é atrapalhar o atendimento a pessoas que realmente necessitam do serviço.

"O objetivo principal do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é chegar o mais rápido à vítima e conseguir deixá-la em uma unidade de saúde para o atendimento de Urgência e Emergência ofertando o serviço de Atendimento Pré hospitalar (APH). A ligação é crucial para o serviço, já que orienta a equipe como deve portar em relação aos casos mais graves, onde há risco de morte, e aos casos menos graves. O trote ocupa a linha de chamada e pode aumentar o tempo de espera de uma real vítima, o que compromete o tempo resposta do Atendimento e levá-la a óbito. Além disso, quando o trote é finalizado, é mandado uma ambulância ao local, que deixa de ser direcionada a alguém que realmente precisa", explicou Raymison Correa, diretor do Samu de Porto Velho.

De maio a dezembro de 2021, foram registrados 28 trotes em Porto Velho, sendo que 23 foram feitos por crianças. Já em todo o ano de 2022, 36 trotes foram registrados, atingindo a média de quatro a cinco trotes por mês, sendo que a maioria também foi realizada por crianças. "Essa quantidade não é pouca, já que o ideal seria registro trote zero. Essas quatro ou cinco ligações podem custar a vida de alguém ou aumentar o tempo dela esperando socorro no asfalto quente", afirmou o diretor.

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), esse tipo de ligação é um ato infracional gravíssimo e quem o comete deve ser encaminhado para a Vara da Infância e da Juventude para que sejam aplicadas as medidas socioeducativas.

"Como a maioria das ocorrências falsas são feitas por crianças, é importante que os pais fiquem atentos quanto ao uso do telefone pelo filho. Porque realmente um dia a criança pode ligar precisando de ajuda. Então, é preciso que os pais monitorem, saibam sensibilizar seus filhos sobre as consequências do trote e orientar sobre não fazer", disse.

SERVIÇO

O atendimento do Samu começa a partir do chamado telefônico no disque 192. A ligação é gratuita, para telefones fixo e móvel. Ao receber o chamado, os técnicos do atendimento telefônico identificam o tipo de emergência e coletam as primeiras informações sobre as vítimas e sua localização. Em seguida, as chamadas são remetidas ao médico regulador, que presta orientações de socorro às vítimas e aciona as ambulâncias quando necessário, disponibilizando o melhor recurso disponível.

As ambulâncias do Samu 192 são distribuídas estrategicamente e classificado o Atendimento, de modo a otimizar o tempo resposta entre os chamados da população e o encaminhamento aos serviços hospitalares de referência. A prioridade é prestar o atendimento à vítima no menor tempo possível, inclusive com o envio de médicos conforme a gravidade do caso.

"A orientação para as pessoas que forem ligar para o 192, é que mantenham a calma e sejam objetivas ao passarem as informações relacionadas à situação do paciente. Elas também devem informar o endereço correto do local da ocorrência com nome da rua, bairro, número e ponto de referência, além de informar a idade e estado da vítima. É necessário que quem acionou o chamado permaneça no local, pois ele ajuda a equipe médica a acompanhar o estado da vítima", explicou Raymison Corrêa

QUANDO CHAMAR O SAMU

É necessário entender que há ocorrências de saúde que não são casos de urgência e emergência, e por isso, acionar o Samu para atender estas situações, também pode atrapalhar os serviços de socorro. Veja quando realmente é necessário chamar o Samu:
• Na ocorrência de problemas cardiorrespiratórios;
• Intoxicação e envenenamento;
• Queimaduras graves;
• Na ocorrência de maus tratos;
• Trabalhos de parto em que haja risco de morte da mãe ou do feto;
• Tentativas de suicídio;
• Crises hipertensivas e dores no peito de aparecimento súbito;
• Quando houver acidentes/traumas com vítimas;
• Afogamentos;
• Choque elétrico;
• Acidentes com produtos perigosos;
• Suspeita de Infarto ou AVC (alteração súbita na fala, perda de força em um lado do corpo e desvio da comissura labial são os sintomas mais comuns);
• Agressão por arma de fogo ou arma branca;
• Soterramento e desabamento;
• Crises Convulsivas;
• Transferência inter-hospitalar de doentes graves;
• Outras situações consideradas de urgência ou emergência, com risco de morte, sequela ou sofrimento intenso.

QUANDO NÃO É NECESSÁRIO CHAMAR O SAMU

Conforme Raymison, nas demais situações onde não se caracteriza urgência ou emergência médica, não se deve acionar o serviço, com risco de atrapalhar atendimentos necessários. São exemplos deles: febre prolongada; dores crônicas que perduram dias; vômito e diarreia; para levar pacientes para consulta médica ou para realizar exames; transporte de óbito; dor de dente; transferência sem regulação médica prévia; trocas de sonda; corte com pouco sangramento, entorses; cólicas renais; transportes inter-hospitalares de pacientes de convênio.

Mesmo que o solicitante não receba atendimento com a unidade de ambulância, a equipe médica do Samu presta serviço de orientação de o que fazer e para onde deve ir para procurar a ajuda correta.


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