Fundado em 11/10/2001
porto velho, quinta-feira 3 de abril de 2025
MUNDO: O embaixador do Brasil no Paraguai, José Antônio Marcondes, foi convocado pelo governo paraguaio para explicar sobre a suposta espionagem da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Um funcionário da Abin afirmou em depoimento à Polícia Federal que a agência teria mantido operações de invasão hacker a sistemas do governo e de autoridades envolvidas nas negociações da usina de Itaipu.
Em coletiva de imprensa, nesta terça-feira, 1º, o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, afirmou que as autoridades do país classificam o tema como "delicado" e disseram que o Brasil precisa explicar qual foi o resultado da interferência.
"Convocamos o embaixador do Brasil no Paraguai, José Antônio Marcondes, para que ele ofereça explicações detalhadas sobre a ação de inteligência conduzida pelo Brasil, mediante a entrega de uma nota oficial que explique detalhadamente as ações desenvolvidas no marco dessa ordem, que foi colocada em prática pelo governo do Brasil", afirmou o chanceler.
No depoimento, o funcionário da Abin afirmou que a atual gestão da agência manteve operações de invasão hacker a sistemas governamentais do país vizinho, inclusive do Congresso, da Presidência da República e de autoridades envolvidas nas negociações da usina de Itaipu.
O líder da equipe técnica paraguaia que toca as negociações com o Brasil no âmbito do acordo de Itaipu, ministro de Indústria e Comércio, Javier Giménez García de Zúñiga, afirmou que os debates sobre o tema estão suspensos até que a questão seja esclarecida.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu uma declaração oficial na tarde de segunda-feira, 31, negando categoricamente o envolvimento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em uma suposta ação hacker contra o governo do Paraguai.
“A citada operação foi autorizada pelo governo anterior, em junho de 2022, e tornada sem efeito pelo diretor interino da ABIN em 27 de março de 2023, tão logo a atual gestão tomou conhecimento do fato”, manifestou o Itamaraty em nota.