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porto velho, sexta-feira 9 de janeiro de 2026

MUNDO: Quando Donald Trump autorizou, na madrugada de sábado (3), os bombardeios em Caracas e o sequestro de Nicolás Maduro, até as paredes da Casa Branca sabiam que aquela não era uma encrenca localizada, como uma cirurgia conduzida por robótica com alvo definido e hora pra acabar.
Trump mexeu num vespeiro que envolve a China, maior compradora do petróleo venezuelano, e a Rússia, apoiadora de primeira hora do governo chavista.
Nesta quarta-feira (7) Washington anunciou a apreensão do petroleiro Marinera, que era da Venezuela, tinha outro nome e navegava sob bandeira russa.
A embarcação havia recebido escolta de submarino russo nos últimos dias, e mesmo assim os EUA bateram o pé: decidiram, sem consultar a comunidade internacional, que aquele petróleo era deles e fim.
A Rússia não demorou a responder. Em nota, o governo de Vladimir Putin disse que a ação norte-americana violou o direito marítimo e que "não havia jurisdição para o uso da força".
Moscou exigiu "tratamento humano e digno" aos tripulantes e cortou a conversa.
O episódio é só mais um indício de que a coisa ainda pode se alastrar a partir de Caracas.
O rastilho de pólvora se espalha pelo Atlântico e já incomoda o Kremlin. Qualquer espirro pode causar uma crise de implicações tão complexas como as que moldaram o século 20.