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porto velho, sábado 10 de janeiro de 2026

MUNDO: O presidente colombiano, Gustavo Petro, disse à BBC acreditar que existe hoje uma "ameaça real" de ação militar dos Estados Unidos contra a Colômbia.
Segundo Petro, os EUA estão tratando outras nações como parte de um "império" americano. A declaração surge depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado a Colômbia com uma ação militar. Petro afirmou que os EUA correm o risco de passar de um país que "domina o mundo" para um que ficará "isolado do mundo".
Petro também acusou agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) de agirem como "brigadas nazistas". Trump ampliou de forma significativa as operações do ICE como parte do que seu governo descreveu como combate ao crime e à imigração ilegal nos EUA.
Procurada pela BBC, a Casa Branca ainda não comentou as declarações de Petro.
Após ataques dos EUA à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, Trump afirmou que uma operação militar contra a Colômbia "parece uma boa ideia".
O presidente dos EUA também disse repetidas vezes a Petro para "cuidar do próprio traseiro", declarações que o presidente colombiano condenou com veemência.
Trump e Petro conversaram por telefone na noite de quarta-feira (07/01). Depois da ligação, o presidente americano afirmou que se reuniria com o colega colombiano na Casa Branca em um "futuro próximo". Em uma publicação feita no fim da noite da mesma quarta-feira na plataforma Truth Social, Trump descreveu a conversa como uma "grande honra". Um funcionário colombiano disse, à época, que o diálogo havia refletido uma mudança de 180 graus na retórica "de ambos os lados".
No entanto, na quinta-feira (08/01), o tom de Petro indicou que a relação não havia melhorado de forma significativa.
Ele disse à BBC que a ligação durou pouco menos de uma hora, "a maior parte do tempo ocupada por mim", e tratou de "tráfico de drogas na Colômbia" e da visão do país sobre a Venezuela e "o que está acontecendo na América Latina em relação aos EUA".
Petro voltou a criticar duramente a política recente de fiscalização migratória dos EUA, acusando agentes do ICE de atuarem como "brigadas nazistas".
O presidente Trump costuma atribuir à imigração a responsabilidade por crimes e pelo tráfico de drogas nos EUA, usando esse argumento para justificar operações em larga escala, e acusa países como Colômbia e Venezuela de não fazerem o suficiente para combater o tráfico de drogas.
Desde que voltou à Casa Branca, Trump enviou agentes do ICE para várias cidades ao redor do país. A agência ICE é responsável por fazer cumprir as leis migratórias e conduzir investigações sobre imigração irregular. Também atua na remoção dos EUA de imigrantes sem documentação.
O governo Trump afirma ter deportado 605 mil pessoas entre 20 de janeiro e 10 de dezembro de 2025. Disse ainda que 1,9 milhão de imigrantes "se autodeportaram voluntariamente", após uma campanha agressiva de conscientização pública que incentivava pessoas a deixar o país por conta própria para evitar prisão ou detenção.
Cerca de 65 mil pessoas estavam detidas pelo ICE em 30/11/25, segundo dados obtidos pelo projeto de imigração do Transactional Records Access Clearinghouse, um compilado de dados governamentais da Universidade de Syracuse (EUA).
Nesta semana, um agente de imigração dos EUA matou a tiros uma cidadã americana de 37 anos na cidade de Minneapolis, o que provocou protestos.
Autoridades federais disseram que Renee Nicole Good tentou atropelar agentes de imigração com o carro. Já o prefeito da cidade, Jacob Frey (do Partido Democrata, em oposição a Trump), afirmou que o agente que disparou agiu de forma imprudente e exigiu que os agentes deixassem a cidade.
Petro disse que o ICE "chegou a um ponto em que já não apenas persegue latino-americanos nas ruas, o que para nós é uma afronta, mas também mata cidadãos dos EUA".
Ele acrescentou que, se isso continuar, "em vez de um EUA dominando o mundo — um sonho imperial —, haverá um EUA isolado do mundo. Um império não se constrói ficando isolado do mundo".
Petro afirmou que os EUA, por "décadas", trataram outros governos, especialmente os da América Latina, como parte de um "império", independentemente da lei.