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    porto velho, domingo 18 de janeiro de 2026

Trump ficará com medalha do Nobel oferecida por Corina Machado, mas título é intransferível

Depois de uma reunião com o presidente dos EUA, a líder opositora venezuelana anunciou que havia "oferecido" sua medalha a Donald Trump


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Publicada em: 16/01/2026 10:29:59 - Atualizado


MUNDO:
 O presidente Donald Trump elogiou nesta quinta-feira (15) a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, pelo "gesto magnífico" de lhe entregar simbolicamente sua medalha do Prêmio Nobel da Paz, durante um encontro na Casa Branca. O governo americano indicou que Trump pretende ficar com o objeto, embora o comitê Nobel, responsável pela concessão da honraria, tenha ressaltado que o título não pode ser transmitido de um ganhador para terceiros.

Depois de uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, a líder opositora venezuelana anunciou que havia "oferecido" sua medalha do Prêmio Nobel da Paz a Donald Trump. "Ele merece. Foi um momento muito emocionante", disse ela à emissora Fox News.

A Casa Branca divulgou posteriormente uma foto dos dois, na qual o presidente americano aparece sorridente, segurando uma grande moldura dourada contendo a medalha.

"Ao presidente Donald J. Trump, em gratidão por sua extraordinária liderança na promoção da paz por meio da força", dizia o texto que acompanhava a foto, na qual o gesto de María Corina Machado foi descrito como um "símbolo pessoal de gratidão, em nome do povo venezuelano".

"Maria me presenteou com seu Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que tenho feito. Que gesto magnífico de respeito mútuo. Obrigado, María!", escreveu o presidente americano, que há muito tempo manifesta interesse na honraria, em sua plataforma Truth Social.

Nobel não pode ser retransmitido
O Centro Nobel da Paz, um museu localizado em Oslo, destacou na quinta-feira que os laureados são livres para usar a medalha de ouro associada ao prêmio como bem entenderem. Mas acrescentou: "Uma medalha pode mudar de mãos, mas não o título de laureado".

O almoço entre Donald Trump e María Corina Machado, apresentado pelo lado americano como uma reunião de cortesia, ocorreu sem acesso à imprensa. Ela chegou à Casa Branca pouco depois do meio-dia e saiu por volta das 14h30, no horário local.

Pouco depois da captura de Nicolás Maduro, que desde então está detido nos Estados Unidos, o presidente americano afirmou que Machado não era "adequada" para liderar o país.

"Eu assegurei a ele que os venezuelanos querem viver livres, com dignidade e justiça", disse María Corina Machado. "Para isso, precisamos de democracia", acrescentou ela, que, em dezembro, deixou secretamente a Venezuela para receber o Prêmio Nobel da Paz, na Noruega.

Machado era alvo de uma proibição de viagem imposta pelo governo de Nicolás Maduro por uma década e viveu escondida. Agora, ela busca a atenção do presidente americano e espera garantir um futuro papel na governança do país latino-americano.

Trump elogia Delcy Rodríguez
O presidente dos EUA teve uma "longa conversa" na quarta-feira com a presidente interina do país latino-americano, Delcy Rodríguez, a quem não poupou elogios, chamando-a de uma "pessoa fantástica". Rodríguez mencionou nesta quinta uma "reforma parcial" da lei do petróleo, principal recurso do país, cuja extração e comercialização Washington pretende controlar.

Donald Trump descarta a realização de eleições por enquanto e prefere "ditar" as decisões da equipe de liderança que permaneceu em Caracas após a captura do presidente, deposto pelas forças especiais americanas.

María Corina Machado "é verdadeiramente uma voz distinta e corajosa para muitos venezuelanos", comentou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, enquanto a reunião estava em andamento.

Venda de petróleo
As forças americanas apreenderam outro petroleiro sob sanções no Caribe na manhã de quinta-feira, o sexto em apenas algumas semanas. Os Estados Unidos também finalizaram uma venda de petróleo venezuelano, a primeira desde que assumiram o controle do setor, por US$ 500 milhões.

Para atingir seus objetivos, Donald Trump terá que convencer as multinacionais do petróleo, algumas das quais cautelosas ou mesmo relutantes a investir pesado na infraestrutura precária da Venezuela.

O país possui as maiores reservas mundiais, com 303,221 milhões de barris, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), à frente da Arábia Saudita (267,2 milhões) e do Irã. No entanto, anos de má gestão e corrupção fizeram com que a produção despencasse de um pico de mais de 3 milhões de barris por dia (bpd) para uma mínima histórica de pouco mais de 350 mil bpd em 2020.


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