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    porto velho, terça-feira 24 de março de 2026

Irã cobra preço alto por cessar-fogo apesar de inferioridade militar no Estreito de Ormuz

Anúncio unilateral de Trump incentiva exigências, que incluem pedágio no Estreito de Ormuz


cnn

Publicada em: 24/03/2026 10:18:20 - Atualizado

MUNDO: O Irã está impondo condições duras para aceitar um cessar-fogo na guerra com os Estados Unidos e Israel. Essa já era a postura do país antes de o presidente americano, Donald Trump, anunciar um suposto avanço nas negociações, desmentido por integrantes do regime em Teerã. O fato de Trump ter piscado primeiro representa um impulso nessa direção.

Fontes das monarquias árabes do Golfo que têm negociado com os iranianos afirmam que eles têm a intenção de estabelecer a cobrança permanente de pedágio pela passagem dos petroleiros e outros cargueiros pelo Estreito de Ormuz, como faz o Egito no Canal de Suez. Nos últimos dias, o Irã tem cobrado US$ 2 milhões por navio. As monarquias árabes resistem a essa ideia.

O Irã também exige garantias de que EUA e Israel não o voltarão a atacar. Em negociações anteriores, os iranianos haviam falado também em reparações de guerra pela destruição do país, que foi alvo de 16 mil bombardeios desde o dia 28.

O regime em Teerã quer elevar ao máximo possível o custo econômico e político da guerra, como forma de dissuasão contra futuros ataques.

A alta do preço do petróleo e do gás, a escassez de energia, as pressões sobre os outros preços e sobre a atividade econômica e as possíveis consequências políticas negativas para os republicanos nas eleições de novembro que renovarão toda a Câmara e um terço do Senado levaram Trump a anunciar que há uma alta convergência entre negociadores americanos e iranianos.

O fato é que nenhum dos objetivos anunciados ultimamente pelo governo americano foram atingidos com essa guerra: a incapacitação “para sempre” do programa nuclear; o desmantelamento completo do arsenal de mísseis e drones; o fim do apoio iraniano a grupos terroristas e guerrilheiros. Os Houthis, do Iêmen, por exemplo, estão com seu poder de fogo intacto.

Isso, sem falar da mudança de regime, anunciada como objetivo por Trump inicialmente. O presidente americano disse que seu enviado especial, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, estão falando com uma autoridade “altamente respeitada”. Segundo fontes americanas e iranianas, Witkoff conversou nos últimos dias com o chanceler Abbas Araghchi. Já uma fonte israelense afirmou que o presidente do Parlamento, Mohamed Baqer Qalibaf, também estaria envolvido nas negociações.

O próprio Qalibaf desmentiu a existência das negociações. Elas têm ocorrido, de forma direta e indireta. E o Irã, mesmo não tendo a dominância militar, conquistou a dominância política e estratégica, graças à sua maior tolerância à dor. Trump simplesmente não tem condições políticas de levar a guerra adiante.


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