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porto velho, quinta-feira 26 de março de 2026

MUNDO: As Forças Armadas iranianas ironizaram as propostas de uma possível negociação de Donald Trump para encerrar o conflito no Oriente Médio, que está na quarta semana. Segundo a agência de notícias Reuters, o porta-voz do comando militar do Irã, Ebrahim Zolfaqari, rejeitou fazer acordo com o governo norte-americano durante transmissão em uma TV estatal.
"Será que o nível do seu conflito interno chegou ao ponto de você [Trump] negociar consigo mesmo? (...) Pessoas como nós nunca conseguirão se dar bem com pessoas como você. Como sempre dissemos...ninguém como nós fará um acordo com vocês. Nem agora. Nem nunca".Ebrahim Zolfaq
Anteriormente, Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que o Irã não pode negociar com os EUA, pois Washington atacou o país duas vezes durante negociações nos últimos dois anos. "Experiência muito ruim com a diplomacia americana", disse.
PublicidadeNesta quarta-feira (25), em meio a uma possível negociação, Irã e Israel trocaram ataques aéreos, com ofensivas no Teerã e nas bases norte-americanas em território israelense.
Os Estados Unidos enviaram ao Irã um plano com 15 pontos para encerrar a guerra no Oriente Médio. Segundo informações do The New York Times, as propostas foram repassadas por meio do Paquistão, que atua como intermediário entre os dois países.
Autoridades afirmaram que o plano trata do programa nuclear iraniano, dos mísseis balísticos e de rotas estratégicas de energia, como o Estreito de Ormuz. No entanto, não há indícios de que Israel, aliado direto dos Estados Unidos na ofensiva ao território iraniano, esteja de acordo com os termos apresentados.
Apesar da tentativa de negociação, a Casa Branca sinalizou que não pretende interromper a operação militar no curto prazo. Em nota ao The New York Times, a secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que os ataques continuam enquanto a diplomacia é explorada.

A guerra no Oriente Médio teve início no dia 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de bombardeios contra alvos militares e nucleares do Irã. Na época, o ataque atingiu um complexo da liderança iraniana em Teerã e matou o aiatolá Ali Khamenei, além de outros integrantes do alto escalão.
Desde então, o confronto escalonou. O Irã passou a responder com ataques diretos, enquanto grupos aliados, como o Hezbollah, abriram novas frentes, ampliando o alcance da guerra.
Diante da proposta norte-americana, não há sinal concreto para um cessar-fogo. Autoridades israelenses indicam que a ofensiva pode durar semanas, enquanto o Irã mantém resistência e nega que haja negociação formal em andamento.