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    porto velho, sexta-feira 22 de maio de 2026

Autoridades americanas denunciam esquema global de contêineres durante a pandemia

Autoridades americanas apontam que empresas chinesas lucraram com elevados em meio à crise logística global durante a Covid-19


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Publicada em: 22/05/2026 09:45:14 - Atualizado


MUNDO: Sete executivos chineses e quatro das maiores fabricantes de contêineres marítimos do mundo foram indiciados nos Estados Unidos sob acusação de integrar um esquema global para restringir a produção e manipular os preços de contêineres padrão não refrigerados entre 2019 e 2024.

Segundo as autoridades americanas, a conspiração dobrou os preços dos equipamentos entre 2019 e 2021 e elevou os lucros das empresas em até cem vezes durante a pandemia de Covid-19 e a crise global da cadeia de suprimentos.

Um dos executivos acusados, Vick Nam Hing Ma, foi preso e aguarda extradição para os EUA, enquanto os outros seis seguem foragidos.

Desdobramentos

O executivo chinês Vick Nam Hing Ma, de 54 anos, ex-diretor de marketing da Singamas Container Holdings Ltd., foi preso em 14 de abril de 2026, na França, e aguarda extradição para os Estados Unidos.

Segundo a acusação apresentada no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia, Ma e outros 10 investigados participaram de um esquema internacional para restringir a produção e manipular os preços de contêineres marítimos secos usados no transporte global de mercadorias.

Entre as empresas acusadas estão a Singamas Container Holdings Ltd., a China International Marine Containers (CIMC), a Dong Fang International Containers e a CXIC Group Containers Co. Ltd., consideradas algumas das maiores fabricantes de contêineres do mundo. De acordo com as autoridades americanas, o grupo teria controlado a oferta global de contêineres não refrigerados entre 2019 e 2024.

A denúncia aponta que executivos das empresas se reuniram em novembro de 2019, em Shenzhen, na China, para fechar um acordo de restrição de produção com o objetivo de elevar os preços globais dos contêineres.

Segundo os investigadores, o grupo limitou turnos nas fábricas, monitorou linhas de produção com câmeras, proibiu a abertura de novas unidades e criou punições financeiras para empresas que descumprissem o acordo.

O que revela a investigação

As autoridades também apontam que o cartel passou a controlar diretamente a quantidade de contêineres vendidos a grandes locadoras, companhias marítimas e empresas de logística dos Estados Unidos, Europa e China. O esquema teria permanecido ativo até pelo menos novembro de 2023.

Segundo a acusação, os ganhos das empresas dispararam durante a pandemia de Covid-19 e a crise global da cadeia de suprimentos. O segmento de fabricação de contêineres da CIMC teria saltado de cerca de US$ 19,8 milhões em lucro em 2019 para aproximadamente US$ 1,75 bilhão em 2021.

Já a Singamas saiu de um prejuízo de cerca de US$ 110 milhões em 2019 para lucro de quase US$ 187 milhões em 2021.

O Procurador-Geral Adjunto Stanley Woodward afirmou que “quem trapaceia nunca prospera” e disse que o Departamento de Justiça vai responsabilizar empresas e executivos que “manipularam os mercados para lucrar com uma pandemia global”.


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